IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024
Paciente de 14 anos é trazido pela mãe em um pronto-socorro no interior do estado de São Paulo, cerca de 150km de um hospital com centro cirúrgico, com queixa de dor testicular direito com início há cerca de 7 horas. No exame físico genito-urinário, o testículo está horizontalizado, rotacionado e com edema em bolsa escrotal ipsilateral. O paciente se queixa de muita dor à mobilização. A conduta do médico, em seu primeiro atendimento, deve ser:
Torção testicular: emergência cirúrgica! Dor aguda + testículo horizontalizado → tentar distorção manual e encaminhar para cirurgia imediata.
A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção imediata para preservar a viabilidade do testículo. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na dor testicular aguda, testículo horizontalizado e rotacionado. Dada a distância de um centro cirúrgico e o tempo de isquemia (7 horas), a tentativa de distorção manual deve ser realizada imediatamente para tentar restaurar o fluxo sanguíneo, seguida de encaminhamento urgente para cirurgia, que é o tratamento definitivo.
A torção testicular é uma emergência urológica que ocorre quando o testículo gira em torno do seu próprio eixo, torcendo o cordão espermático e comprometendo o fluxo sanguíneo. É mais comum em adolescentes e neonatos, mas pode ocorrer em qualquer idade. A rápida identificação e intervenção são cruciais para preservar a viabilidade testicular, pois o tempo de isquemia é o principal determinante do prognóstico. A fisiopatologia envolve a rotação do testículo e do cordão espermático, levando à oclusão das artérias e veias, resultando em isquemia e, se não tratada, necrose testicular. A suspeita clínica é alta em pacientes com dor testicular aguda e súbita, acompanhada de edema escrotal, testículo elevado e horizontalizado, e ausência do reflexo cremastérico. O diagnóstico é primariamente clínico, e exames complementares como a ultrassonografia com Doppler, embora úteis, não devem atrasar a intervenção em casos de alta suspeita clínica. A conduta inicial em um pronto-socorro, especialmente em locais com acesso limitado a centros cirúrgicos, deve incluir a tentativa de distorção manual do testículo. Esta manobra pode restaurar temporariamente o fluxo sanguíneo e aliviar a dor, mas não substitui a necessidade de cirurgia. A orquiopexia bilateral (fixação cirúrgica dos testículos) é o tratamento definitivo, realizada para confirmar a detorção, avaliar a viabilidade testicular e prevenir recorrências, bem como fixar o testículo contralateral para evitar torção futura.
Os sinais e sintomas clássicos incluem dor testicular aguda e súbita, geralmente unilateral, que pode irradiar para a virilha ou abdome inferior. Ao exame físico, o testículo afetado pode estar elevado, horizontalizado, edemaciado e extremamente doloroso à palpação, com ausência do reflexo cremastérico.
O tempo é o fator mais crítico na torção testicular. A viabilidade do testículo diminui drasticamente com o passar das horas. Após 6 horas de isquemia, a taxa de salvamento testicular cai significativamente, e após 12-24 horas, a chance de necrose testicular é muito alta. Por isso, a intervenção imediata é fundamental.
A manobra de distorção manual deve ser tentada imediatamente, especialmente quando há atraso no acesso cirúrgico. Geralmente, a torção ocorre medialmente, então a manobra consiste em girar o testículo afetado para fora, como se estivesse 'abrindo um livro', ou seja, no sentido anti-horário para o testículo direito e horário para o esquerdo. O alívio da dor sugere sucesso, mas a cirurgia ainda é necessária para orquiopexia.
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