Torção Testicular: Diagnóstico, Tratamento e Orquidopexia

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 14 anos procura atendimento médico por apresentar aumento doloroso da hemibolsa escrotal à esquerda, percebida há cerca de duas horas; nega episódios anteriores. Ao exame físico, verifica-se aumento do volume da hemibolsa escrotal esquerda, dolorosa à palpação. Foi aventada a possibilidade de torção testicular. Baseado nos dados apresentados, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Em todos os casos, no tratamento cirúrgico, o testículo contralateral também deve ser fixado ao escroto.
  2. B) A cintilografia é um teste pouco específico para o diagnóstico da torção testicular.
  3. C) Na maioria dos casos, história cuidadosa e exame não são suficientes para confirmar o diagnóstico de torção testicular; uma ultrassonografia é obrigatória para determinar o fluxo vascular dos testículos.
  4. D) A imediata distorção manual por meio de uma abordagem na rafe escrotal mediana é o tratamento apropriado.
  5. E) Em torções de menos de 24 horas, 90% dos testículos podem ser recuperados, no entanto, essa taxa de recuperação diminui significativamente para menos de 10%, com mais de 48 horas de sintomas.

Pérola Clínica

Torção testicular: Sempre fixar testículo contralateral na cirurgia para prevenir recorrência.

Resumo-Chave

A torção testicular é uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata. A fixação bilateral dos testículos (orquidopexia) é crucial para prevenir a torção do testículo contralateral, que possui risco aumentado devido à mesma anomalia anatômica subjacente ("deformidade em sino de sino").

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para preservar a viabilidade do testículo. Afeta principalmente adolescentes e neonatos, sendo caracterizada pela rotação do testículo e funículo espermático, levando à isquemia. A dor escrotal aguda, súbita e unilateral é o sintoma cardinal, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. A suspeita clínica é crucial para um manejo rápido. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a ultrassonografia com Doppler colorido é o exame complementar de escolha para confirmar a ausência ou redução do fluxo sanguíneo testicular. O tempo é um fator crítico: a taxa de salvamento testicular diminui drasticamente após 6 horas de isquemia. A distorção manual pode ser tentada como medida temporária, mas não substitui a cirurgia. O tratamento definitivo é cirúrgico, consistindo na destorção do testículo afetado e sua fixação (orquidopexia) ao escroto. É imperativo realizar a orquidopexia também no testículo contralateral, mesmo que assintomático, devido à alta probabilidade de anomalia anatômica bilateral que predispõe à torção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da torção testicular?

A torção testicular manifesta-se com dor escrotal aguda e súbita, geralmente unilateral, acompanhada de inchaço, eritema e elevação do testículo afetado. Náuseas e vômitos podem estar presentes.

Qual a importância da orquidopexia bilateral na torção testicular?

A orquidopexia bilateral é fundamental porque a deformidade anatômica que predispõe à torção (deformidade em sino de sino) é frequentemente bilateral, aumentando o risco de torção no testículo contralateral. A fixação preventiva é crucial.

Qual o papel da ultrassonografia Doppler no diagnóstico da torção testicular?

A ultrassonografia Doppler é o exame de imagem de escolha para a torção testicular, pois permite avaliar o fluxo sanguíneo testicular. A ausência ou diminuição acentuada do fluxo no testículo afetado é altamente sugestiva de torção.

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