FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente, 14 anos, queixa-se de dor intensa em testículo direito após partida de futebol; logo procura atendimento em uma unidade de pronto atendimento. Ao exame físico, apresenta edema testicular elevado em relação ao testículo contralateral, sem reflexo cremastérico. O médico plantonista logo transfere o paciente para o hospital de referência. Quais são, para esse caso, o diagnóstico e a conduta, respectivamente?
Dor súbita + Reflexo cremastérico ausente + Testículo elevado = Torção testicular → Cirurgia imediata.
A torção testicular é uma emergência urológica onde a rotação do cordão espermático interrompe o fluxo sanguíneo. O diagnóstico é clínico e a conduta é a exploração cirúrgica com fixação bilateral para prevenir recorrência.
A torção testicular é a causa mais comum de perda de testículo em adolescentes. O quadro clínico clássico envolve dor súbita e intensa, náuseas, vômitos e um testículo horizontalizado e elevado (Sinal de Angel). Diferente da orquiepididimite, a dor não melhora com a elevação do testículo (Sinal de Prehn negativo). A fisiopatologia envolve a rotação do testículo sobre o cordão espermático, levando primeiro à obstrução venosa e depois à oclusão arterial. O diagnóstico é eminentemente clínico; exames de imagem como o Doppler não devem atrasar a exploração cirúrgica se a suspeita for alta.
A fixação deve ser bilateral (orquidopexia bilateral) porque a anomalia anatômica que predispõe à torção, conhecida como deformidade em 'badalo de sino' (bell-clapper deformity), geralmente está presente em ambos os testículos. Fixar apenas o lado afetado deixa o testículo contralateral vulnerável a um evento isquêmico futuro, o que poderia resultar em anarquia testicular e infertilidade definitiva.
O reflexo cremastérico é um dos sinais clínicos mais sensíveis para descartar torção testicular. Sua presença sugere fortemente outras causas de dor, como orquiepididimite ou torção de apêndice testicular. A ausência do reflexo cremastérico em um paciente com dor escrotal súbita deve ser considerada torção testicular até que se prove o contrário por exploração cirúrgica.
O prognóstico de viabilidade testicular é altamente dependente do tempo. A taxa de salvamento é próxima de 100% se a detorção ocorrer em até 6 horas do início dos sintomas. Após 12 horas, a viabilidade cai para cerca de 20%, e após 24 horas, a necrose é quase certa, frequentemente exigindo orquiectomia.
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