Torção Testicular: Diagnóstico e Manejo de Emergência

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 13 anos chega de madrugada no pronto atendimento acompanhado pela sua mãe. Ele refere ter acordado devido a dor súbita e intensa em aperto em região testicular direita há cerca de duas horas. Refere ainda náusea e 1 episódio de vômito após o início da dor. Ao exame físico observa-se hiperemia, aumento de volume, aumento de consistência e elevação de testículo direito, além de ausência de reflexo cremastérico à direita. Diante da situação hipotética, é correto afirmar que a conduta mais apropriada é

Alternativas

  1. A) prescrição de Ibuprofeno, compressa local e repouso com retorno para reavaliação.
  2. B) solicitar ultrassonografia testicular com Doppler e avaliação da equipe de cirurgia.
  3. C) questionar início de atividade sexual e iniciar antibioticoterapia para cobertura de DSTs.
  4. D) refazer anamnese para descartar trauma testicular.
  5. E) solicitar ultrassonografia testicular para descartar tumor de células germinativas.

Pérola Clínica

Dor testicular súbita + ausência de reflexo cremastérico + elevação testicular em adolescente → Torção testicular = EMERGÊNCIA CIRÚRGICA.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor testicular súbita e intensa, náuseas/vômitos, ausência de reflexo cremastérico e elevação do testículo é altamente sugestivo de torção testicular, uma emergência urológica que requer intervenção cirúrgica imediata para preservar a viabilidade do testículo. O tempo é crítico para evitar a isquemia irreversível.

Contexto Educacional

A torção testicular é uma emergência urológica que ocorre quando o testículo gira em seu eixo, torcendo o cordão espermático e comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em adolescentes e neonatos, mas pode ocorrer em qualquer idade. A incidência é de aproximadamente 1 em 4.000 homens com menos de 25 anos. O tempo é um fator crítico para a preservação da viabilidade testicular, com taxas de salvamento diminuindo drasticamente após 6-8 horas de isquemia. A fisiopatologia envolve a rotação do testículo dentro da túnica vaginal, levando à oclusão das artérias e veias testiculares. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de dor testicular súbita e intensa, náuseas e vômitos. Ao exame físico, o testículo afetado geralmente está elevado, horizontalizado, edemaciado, hiperemiado e extremamente doloroso à palpação. A ausência do reflexo cremastérico é um sinal altamente sugestivo. A conduta mais apropriada é a avaliação imediata pela equipe de cirurgia e a realização de ultrassonografia testicular com Doppler para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo. No entanto, se a suspeita clínica for muito alta, a exploração cirúrgica deve ser realizada sem atrasos, mesmo antes do exame de imagem. O tratamento definitivo é a detorção cirúrgica e orquidopexia bilateral para prevenir recorrências e torção no testículo contralateral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da torção testicular?

Os sintomas incluem dor testicular súbita e intensa, geralmente unilateral, náuseas e vômitos. Ao exame físico, observa-se testículo elevado, horizontalizado, edemaciado, hiperemiado e com ausência do reflexo cremastérico.

Qual a importância do reflexo cremastérico na suspeita de torção testicular?

A ausência do reflexo cremastérico (contração do músculo cremaster ao toque na face interna da coxa) é um sinal altamente sugestivo de torção testicular, embora sua presença não a exclua completamente.

Por que a ultrassonografia testicular com Doppler é fundamental na torção testicular?

A ultrassonografia com Doppler é o exame de imagem de escolha, pois permite avaliar o fluxo sanguíneo testicular. A ausência ou diminuição acentuada do fluxo no testículo afetado confirma a torção, sendo crucial para o diagnóstico diferencial.

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