Torção Ovariana: Diagnóstico Urgente e Sinais Ultrassonográficos

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Paciente 22 anos, foi ao hospital da mulher com dor pélvica de início súbito em fossa ilíaca direita, náuseas e vômitos. Ao exame físico observou-se dor intensa e massa palpável em topografia anexial. a ultrassonografia evidenciou ovário direito aumentado de volume e líquido livre em fundo de saco posterior. O estudo Doppler não identificou nenhum tipo de fluxo.Qual a hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Torção ovariana
  2. B) Endometrioma
  3. C) Tumor de ovário
  4. D) Doença Inflamatória pélvica

Pérola Clínica

Dor pélvica súbita + massa anexial + Doppler sem fluxo = Torção Ovariana até prova em contrário.

Resumo-Chave

A torção ovariana é uma emergência ginecológica que se manifesta com dor pélvica súbita e intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. A ausência de fluxo sanguíneo ao Doppler na ultrassonografia de um ovário aumentado de volume é um achado altamente sugestivo, indicando isquemia e a necessidade de intervenção cirúrgica urgente.

Contexto Educacional

A torção ovariana é uma emergência ginecológica que ocorre quando o ovário e, por vezes, a tuba uterina, giram em torno de seu pedículo vascular, comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em mulheres em idade reprodutiva, especialmente na presença de massas ovarianas (cistos ou tumores), que aumentam o risco de torção. A apresentação clínica típica é de dor pélvica unilateral de início súbito e intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos, o que pode mimetizar outras condições abdominais agudas. O diagnóstico da torção ovariana é primariamente clínico, mas a ultrassonografia pélvica com Doppler é a ferramenta de imagem mais importante. Achados como ovário aumentado de volume, presença de líquido livre no fundo de saco e, principalmente, a ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo ao Doppler no ovário afetado são altamente sugestivos. A ausência de fluxo venoso é um sinal precoce e mais sensível do que a ausência de fluxo arterial, que pode estar preservado devido à dupla irrigação ovariana. A identificação desses sinais é crucial para um diagnóstico rápido. A conduta é cirúrgica e deve ser realizada o mais breve possível para tentar preservar o ovário. A laparoscopia é a abordagem preferencial para destorcer o ovário e, se viável, fixá-lo (ooforopexia) para prevenir recorrências. Em casos de necrose irreversível, a ooferectomia pode ser necessária. Para residentes, o reconhecimento precoce dos sintomas e a interpretação correta dos achados ultrassonográficos são fundamentais para evitar a perda do ovário e suas consequências para a fertilidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da torção ovariana?

Os sintomas clássicos incluem dor pélvica unilateral de início súbito e intensa, frequentemente descrita como em cólica, acompanhada de náuseas, vômitos e, por vezes, febre baixa. A dor pode irradiar para a coxa ou região lombar.

Quais achados ultrassonográficos são sugestivos de torção ovariana?

Achados sugestivos incluem ovário aumentado de volume (edemaciado), presença de múltiplos folículos periféricos (sinal do 'colar de pérolas'), líquido livre no fundo de saco e, crucialmente, ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo (arterial e venoso) ao Doppler no ovário afetado.

Qual é a conduta inicial em caso de suspeita de torção ovariana?

A conduta inicial é a estabilização da paciente e a confirmação diagnóstica por ultrassonografia com Doppler. Uma vez suspeita, a intervenção cirúrgica (laparoscopia ou laparotomia) é urgente para destorcer o ovário e avaliar sua viabilidade, visando preservar o órgão.

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