Torção de Ovário: Diagnóstico e Manejo da Dor Pélvica Aguda

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020

Enunciado

C.M.L., 20 anos, atendida no PS pela segunda vez no intervalo de 1 semana, devido a quadro de dor pélvica intensa, com piora progressiva e refratária a analgésicos e anti- inflamatórios. Data da última menstruação: há 20 dias. Contracepção: condon. Ao exame físico: bom estado geral, corada, apirética, normotensa, abdome doloroso, dor à descompressão brusca (DB) duvidosa. Ao especular e toque, colo epitelizado, sem secreções, consistência fibro-elástica, útero de volume normal e abaulamento em região de fórnice lateral esquerdo, muito doloroso ao toque. Ao exame de ultrassonografia, tumoração cística medindo 10 cm no maior diâmetro, aspecto simples e sem debris, em região anexial esquerda de possível origem ovariana. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta?

Alternativas

  1. A) Gravidez ectópica e laparoscopia
  2. B) Cisto de ovário funcional e seguimento ecográfico
  3. C) Cisto hemorrágico roto e laparoscopia
  4. D) Torção de cisto ovariano e laparoscopia
  5. E) Hidrossalpinge e seguimento ecográfico

Pérola Clínica

Dor pélvica aguda intensa + massa anexial > 5cm + USG com cisto simples → Torção de ovário = Laparoscopia de urgência.

Resumo-Chave

A torção de ovário deve ser fortemente suspeitada em pacientes com dor pélvica aguda e intensa, refratária a analgésicos, associada a uma massa anexial (especialmente cistos maiores que 5 cm), mesmo que a ultrassonografia inicial mostre um cisto simples. A conduta é laparoscopia exploratória de urgência para detorção e preservação do ovário.

Contexto Educacional

A dor pélvica aguda é uma queixa comum no pronto-socorro ginecológico e obstétrico, exigindo uma avaliação rápida e precisa para identificar condições que necessitam de intervenção urgente. Entre as causas mais graves, a torção ovariana se destaca como uma emergência cirúrgica que, se não tratada prontamente, pode levar à perda do ovário devido à isquemia e necrose. É crucial para residentes reconhecerem os sinais e sintomas para um manejo adequado. A torção ovariana ocorre quando o ovário e, frequentemente, a tuba uterina (torção anexial) giram em torno de seus ligamentos de suporte, comprometendo o suprimento sanguíneo. Cistos ovarianos, especialmente os maiores que 5 cm, são um fator de risco significativo, pois aumentam o peso e a mobilidade do ovário. A dor é tipicamente súbita, intensa e persistente, muitas vezes refratária a analgésicos comuns, e pode ser acompanhada de náuseas e vômitos. A ultrassonografia pode mostrar um ovário aumentado e, em alguns casos, ausência de fluxo Doppler, mas a presença de fluxo não exclui o diagnóstico. No caso clínico apresentado, a paciente jovem com dor pélvica intensa, progressiva e refratária, associada a um cisto ovariano de 10 cm, aponta fortemente para torção ovariana. A conduta de escolha é a laparoscopia de urgência, que permite a detorção do ovário e a avaliação da viabilidade do tecido. A preservação do ovário é o objetivo principal, especialmente em mulheres jovens. O atraso no tratamento pode resultar em necrose ovariana e necessidade de ooferectomia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da torção ovariana?

Os principais sinais e sintomas incluem dor pélvica aguda, intensa e súbita, muitas vezes unilateral, que pode ser acompanhada de náuseas, vômitos e, ocasionalmente, febre baixa. O exame físico pode revelar dor à palpação anexial e massa.

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico da torção ovariana?

A ultrassonografia é o método de imagem inicial. Pode mostrar um ovário aumentado, com cisto ou massa, e ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo Doppler no ovário afetado. No entanto, o fluxo preservado não exclui torção, e o diagnóstico é clínico-cirúrgico.

Por que a laparoscopia é a conduta de escolha na torção ovariana?

A laparoscopia é a conduta de escolha porque permite a visualização direta do ovário torcido, a detorção imediata para restaurar o fluxo sanguíneo e, se necessário, a ooforopexia para prevenir novas torções. É um procedimento minimamente invasivo e diagnóstico-terapêutico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo