UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
S.F.D., 22 anos, foi ao serviço de urgência da maternidade com dor pélvica de início súbito em fossa ilíaca direita, náuseas e vômitos. Ao exame físico, observou-se dor intensa e massa palpável em topografia anexial. A ultrassonografia evidenciou ovário direito aumentado de volume e líquido livre em fundo de saco posterior. O estudo Doppler não identificou nenhum tipo de fluxo. A hipótese diagnóstica dessa paciente é
Dor pélvica súbita + massa anexial + Doppler sem fluxo → Torção Ovariana.
A torção ovariana é uma emergência ginecológica caracterizada por dor pélvica súbita e intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. A ausência de fluxo sanguíneo no ovário ao Doppler, em um ovário aumentado de volume, é um achado ultrassonográfico altamente sugestivo do diagnóstico.
A torção ovariana, ou torção anexial, é uma emergência ginecológica que ocorre quando o ovário e, frequentemente, a tuba uterina giram em torno de seus ligamentos de suporte, comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em mulheres em idade reprodutiva, mas pode ocorrer em qualquer idade, sendo frequentemente associada à presença de massas ovarianas (cistos ou tumores) que aumentam o risco de rotação. A dor pélvica súbita e intensa, unilateral, acompanhada de náuseas e vômitos, é o sintoma cardinal, e a suspeita clínica é crucial para o diagnóstico precoce. Do ponto de vista fisiopatológico, a torção inicial geralmente afeta a drenagem venosa e linfática, levando a edema e ingurgitamento do ovário. Com a progressão da torção, o fluxo arterial também é comprometido, resultando em isquemia e necrose tecidual. O exame físico pode revelar dor à palpação abdominal e uma massa anexial palpável. A ultrassonografia transvaginal com Doppler é o método diagnóstico de escolha, evidenciando um ovário aumentado de volume, folículos periféricos e, mais importante, a ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo no ovário afetado. Líquido livre em fundo de saco posterior também pode ser um achado. O tratamento da torção ovariana é cirúrgico e deve ser realizado o mais rapidamente possível para tentar preservar o ovário. A laparoscopia é a abordagem preferencial, permitindo a destorção do ovário e, se viável, a fixação (ooforopexia) para prevenir recorrências. Em casos de necrose irreversível, a ooferectomia pode ser necessária. O prognóstico depende do tempo entre o início dos sintomas e a intervenção cirúrgica, sendo que a detecção precoce aumenta as chances de salvamento do ovário e preservação da fertilidade.
Os sintomas clássicos da torção ovariana incluem dor pélvica súbita e intensa, geralmente unilateral, que pode ser acompanhada de náuseas e vômitos. A dor pode ser intermitente se a torção for parcial e se resolver espontaneamente, mas geralmente é persistente e progressiva.
O ultrassom Doppler é crucial no diagnóstico da torção ovariana, pois a ausência de fluxo sanguíneo (arterial e/ou venoso) no ovário afetado é um achado altamente sugestivo de isquemia. Outros achados incluem ovário aumentado de volume, folículos periféricos e líquido livre em fundo de saco.
Os principais diagnósticos diferenciais da torção ovariana incluem apendicite aguda, doença inflamatória pélvica (DIP), cisto ovariano roto ou hemorrágico, gravidez ectópica e cólica renal. A história clínica detalhada e os exames de imagem são fundamentais para a diferenciação.
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