UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2015
Assinale a principal causa de dor testicular abaixo dos dez anos.
Dor testicular < 10 anos → Torção do Apêndice Testicular (Hidátide de Morgagni) é a causa mais comum.
A torção do apêndice do testículo (hidátide de Morgagni) é a causa mais frequente de dor testicular aguda em meninos pré-púberes. Embora menos grave que a torção testicular, exige diferenciação rápida para evitar atraso no tratamento da última.
A dor testicular em crianças é uma queixa comum no pronto-socorro e exige uma avaliação cuidadosa para diferenciar condições benignas de emergências cirúrgicas. Abaixo dos dez anos, a principal causa de dor testicular aguda é a torção do apêndice do testículo, também conhecida como torção da hidátide de Morgagni. Esta condição é mais frequente na faixa etária pré-puberal, com pico de incidência entre 7 e 12 anos. Embora seja uma condição benigna, é crucial diferenciá-la da torção testicular, uma emergência que pode levar à perda do testículo. A fisiopatologia da torção do apêndice testicular envolve a torção de um pequeno remanescente embrionário (apêndice testicular ou epididimário) que se localiza na parte superior do testículo ou epidídimo. Essa torção leva à isquemia e necrose do apêndice, causando dor. O diagnóstico é primariamente clínico, com dor escrotal aguda unilateral, sem sinais sistêmicos como febre ou vômitos. O "sinal do ponto azul" (uma mancha azulada visível através da pele escrotal) é patognomônico, mas nem sempre presente. O ultrassom Doppler é o exame de imagem de escolha, mostrando fluxo sanguíneo normal ou aumentado no testículo e epidídimo, e uma lesão hipoecogênica no apêndice. O tratamento da torção do apêndice testicular é conservador, com repouso, analgesia e anti-inflamatórios. A dor geralmente regride em poucos dias, e o apêndice isquêmico atrofia. Em contraste, a torção testicular é uma emergência cirúrgica que requer detorção imediata (em até 6 horas) para preservar a viabilidade do testículo. A diferenciação rápida e precisa entre essas duas condições é fundamental para evitar morbidade desnecessária e garantir o melhor desfecho para o paciente pediátrico.
A torção do apêndice testicular causa dor escrotal aguda de início súbito, geralmente unilateral, sem irradiação. Um sinal clássico é o 'sinal do ponto azul', uma mancha azulada visível através da pele escrotal, indicando o apêndice isquêmico.
A torção testicular causa dor mais intensa, náuseas/vômitos, elevação do testículo e ausência do reflexo cremastérico. A torção do apêndice testicular geralmente tem dor menos intensa, testículo em posição normal e reflexo cremastérico presente. O ultrassom Doppler é crucial para diferenciar, mostrando fluxo sanguíneo normal ou aumentado no apêndice e ausente no testículo torcido.
O tratamento é conservador, com repouso, analgesia e anti-inflamatórios. A dor geralmente melhora em poucos dias e o apêndice atrofia. A cirurgia é raramente necessária, apenas em casos de dor persistente ou dúvida diagnóstica.
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