IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020
Mulher de 34 anos, apresenta dor pélvica súbita à direita. Última menstruação há 13 dias. Ao exame: pressão arterial 120x80mmHg, frequência cardíaca 98 bpm, temperatura axilar 37C. Abdome peristáltico, doloroso a palpação principalmente em fossa ilíaca direita. Exame especular sem alterações. Toque doloroso com aumento do anexo direito. Ultrassonografia pélvica com cisto dermóide em ovário direito com 8 cm, ausência de líquido livre na pelve. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor pélvica súbita + massa anexial (cisto dermóide 8cm) + anexo doloroso ao toque → Torção de anexo até prova em contrário.
A torção de anexo é uma emergência ginecológica caracterizada por dor pélvica súbita e intensa, frequentemente associada a náuseas/vômitos. A presença de uma massa anexial (como um cisto dermóide de 8cm) aumenta significativamente o risco de torção, e o exame físico com anexo doloroso e aumentado reforça a suspeita.
A torção de anexo ovariano é uma emergência ginecológica que exige diagnóstico e intervenção rápidos para preservar a função ovariana. Caracteriza-se pela rotação do ovário e/ou trompa de Falópio em torno de seu pedículo vascular, comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em mulheres em idade reprodutiva, e a presença de uma massa anexial, como um cisto dermóide, é um fator de risco significativo, pois o peso e o tamanho da massa predispõem à torção. Clinicamente, a torção de anexo manifesta-se com dor pélvica súbita e intensa, frequentemente unilateral, que pode ser acompanhada de náuseas e vômitos. Ao exame físico, é comum encontrar dor à palpação abdominal e um anexo doloroso e aumentado ao toque vaginal. A ultrassonografia pélvica é o exame de imagem de escolha, podendo revelar um ovário aumentado, a massa anexial e, em casos mais avançados, ausência de fluxo sanguíneo ao Doppler, embora a presença de fluxo não exclua o diagnóstico. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de dor pélvica aguda, como cisto ovariano roto, gravidez ectópica, apendicite e doença inflamatória pélvica. A ausência de líquido livre na pelve e o ciclo menstrual recente ajudam a afastar algumas dessas condições. O tratamento é cirúrgico, preferencialmente por laparoscopia, com o objetivo de destorcer o ovário e, se viável, preservá-lo. A intervenção precoce é crucial para evitar a necrose ovariana e a perda do órgão.
Os principais fatores de risco incluem a presença de massas anexiais (cistos ou tumores, especialmente maiores que 5 cm), gravidez, indução da ovulação e ligadura tubária prévia.
A ultrassonografia pélvica com Doppler é a modalidade de imagem de escolha. Pode mostrar um ovário aumentado, cisto ou massa anexial, e a ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo no pedículo vascular do ovário afetado.
A conduta é cirúrgica, geralmente por laparoscopia, para destorcer o ovário e avaliar sua viabilidade. A cirurgia deve ser realizada o mais rápido possível para preservar a função ovariana.
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