Torção de Anexo: Diagnóstico e Manejo de Emergência

MedEvo Simulado — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 22 anos, nuligesta, comparece ao pronto-socorro com dor abdominal súbita e intensa em fossa ilíaca esquerda, iniciada há cerca de 4 horas. Relata náuseas e um episódio de vômito. Nega febre, sangramento vaginal ou alterações do hábito intestinal. Menciona ter um histórico de cisto ovariano simples no ovário esquerdo, detectado em ultrassonografia de rotina há 3 meses. É sexualmente ativa, mas o teste de gravidez (beta-hCG) realizado na admissão é negativo. Ao exame físico, apresenta dor à palpação profunda em fossa ilíaca esquerda, com descompressão dolorosa leve. A ultrassonografia transvaginal revela ovário esquerdo aumentado (6x5 cm), com estroma edemaciado e múltiplos folículos periféricos. O doppler colorido mostra fluxo arterial e venoso diminuído no ovário esquerdo, com o sinal do 'redemoinho' (whirlpool sign) no pedículo vascular. Há pequena quantidade de líquido livre no fundo de saco. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda, com indicação de laparotomia exploradora.
  2. B) Gravidez ectópica rota, necessitando de laparoscopia de emergência.
  3. C) Torção de anexo esquerdo, com indicação de laparoscopia diagnóstica e terapêutica.
  4. D) Cisto ovariano hemorrágico roto, com manejo expectante e analgésicos.

Pérola Clínica

Dor súbita em fossa ilíaca + ovário aumentado + "whirlpool sign" no Doppler → Torção de anexo = Laparoscopia urgente.

Resumo-Chave

A torção de anexo é uma emergência ginecológica caracterizada pela rotação do ovário e/ou tuba uterina em torno de seu pedículo vascular, comprometendo o fluxo sanguíneo. A dor súbita e intensa, associada a náuseas/vômitos e um ovário aumentado com fluxo diminuído e o "sinal do redemoinho" no Doppler, são altamente sugestivos. A conduta é laparoscopia diagnóstica e terapêutica.

Contexto Educacional

A torção de anexo, que envolve a rotação do ovário e/ou da tuba uterina em torno de seu pedículo vascular, é uma emergência ginecológica que exige diagnóstico e intervenção rápidos para preservar a viabilidade do órgão. É mais comum em mulheres em idade reprodutiva, e a presença de uma massa ovariana (cisto ou tumor) é um fator de risco significativo, pois aumenta a mobilidade do ovário. A fisiopatologia envolve a compressão dos vasos sanguíneos no pedículo, inicialmente dos vasos venosos e linfáticos, levando a edema e congestão ovariana. Posteriormente, a oclusão arterial pode resultar em isquemia e necrose. Os sintomas clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, geralmente unilateral, acompanhada de náuseas e vômitos. O exame físico pode revelar dor à palpação e descompressão dolorosa. O diagnóstico é primariamente clínico e ultrassonográfico. A ultrassonografia transvaginal com Doppler é crucial, podendo mostrar um ovário aumentado e edemaciado, múltiplos folículos periféricos, líquido livre no fundo de saco e, mais especificamente, o "sinal do redemoinho" (whirlpool sign) no pedículo vascular, indicando a torção. A diminuição ou ausência de fluxo sanguíneo no Doppler colorido é um achado importante. A conduta é cirúrgica de emergência, preferencialmente por laparoscopia, para detorcer o anexo e avaliar sua viabilidade, com o objetivo de preservar o ovário sempre que possível.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para torção de anexo?

Os principais fatores de risco incluem a presença de massas ovarianas (cistos ou tumores, especialmente benignos e de tamanho médio), gravidez, indução de ovulação e ligadura tubária prévia.

Qual a importância do "sinal do redemoinho" (whirlpool sign) na ultrassonografia para o diagnóstico de torção de anexo?

O "sinal do redemoinho" é um achado ultrassonográfico altamente específico, que indica a torção do pedículo vascular do ovário, sendo um forte indício de torção de anexo.

Qual a conduta inicial mais adequada para a torção de anexo?

A conduta inicial mais adequada é a laparoscopia diagnóstica e terapêutica de emergência, visando a detorção do ovário e, se viável, a preservação do órgão. A ooforopexia pode ser considerada para prevenir recorrências.

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