Torção Anexial: Diagnóstico e Manejo de Urgência

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Roberta, 20 anos, nuligesta, não se encontra em uso de nenhum método hormonal de contracepção, desde que inseriu seu DIU de cobre há 2 anos. Nesse período, encontrava-se muito bem adaptada ao método, com ciclos menstruais regulares, sangramento leve e nenhuma cólica menstrual. Há pouco mais de um dia, iniciou dor em forte intensidade e progressivamente pior, mais localizada à esquerda, com boa resposta a analgésicos no início, porém a cada vez nota menor benefício com o uso destes. Decidiu comparecer à emergência e, ao exame físico, apresentava temperatura axilar de 37,2ºC, tumoração palpável esquerda ao toque bimanual, dolorosa, e com descompressão súbita dolorosa em quadrante inferior esquerdo. Não se observou conteúdo vaginal patológico e o Sinal de Chandelier era ausente. Realizada ultrassonografia à beira do leito, que evidenciou tumoração anexial esquerda, medindo 7 cm, sem fluxo vascular em pedículo ovariano desse lado e mínima quantidade de líquido em fundo de saco. O diagnóstico sindrômico e a patologia anexial observada mais prováveis, bem como a conduta mais adequada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) torção anexial // teratoma // abordagem cirúrgica de urgência.
  2. B) crise álgica por endometriose // endometrioma // dienogeste oral.
  3. C) ruptura de tumoração ovariana // cistoadenoma // abordagem cirúrgica de urgência.
  4. D) doença inflamatória pélvica // abscesso tubo-ovariano // antibioticoterapia venosa.
  5. E) torção anexial // cistoadenoma // analgesia e abordagem cirúrgica eletiva.

Pérola Clínica

Dor abdominal aguda unilateral + massa anexial + ausência de fluxo vascular no pedículo ovariano na USG → Torção Anexial = Cirurgia de Urgência.

Resumo-Chave

A dor súbita e progressiva, associada à massa anexial e, crucialmente, à ausência de fluxo vascular no pedículo ovariano na ultrassonografia, são achados clássicos de torção anexial. A urgência cirúrgica é para preservar a viabilidade do ovário e da tuba, sendo o teratoma uma causa comum de torção.

Contexto Educacional

A torção anexial é uma emergência ginecológica que ocorre quando o ovário e/ou a tuba uterina giram em torno de seu pedículo vascular, comprometendo o suprimento sanguíneo. É uma causa importante de dor pélvica aguda em mulheres de todas as idades, com maior incidência em mulheres em idade reprodutiva. O reconhecimento precoce é vital para a preservação da função ovariana e tubária, sendo um tema de grande relevância para a prática do residente. A fisiopatologia envolve a rotação do ovário, geralmente devido à presença de uma massa anexial que atua como um ponto de pivô. Os sintomas clássicos incluem dor abdominal súbita, unilateral e intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. O diagnóstico é guiado pela clínica e confirmado pela ultrassonografia com Doppler, que pode evidenciar ovário aumentado, massa anexial e, crucialmente, ausência ou diminuição do fluxo vascular no pedículo. A ausência do sinal de Chandelier (dor à mobilização do colo) e de conteúdo vaginal patológico ajuda a diferenciar de DIP. A conduta para torção anexial é cirúrgica e de urgência. A laparoscopia é o método preferencial para destorcer o anexo e avaliar sua viabilidade. Em casos de necrose irreversível, a salpingo-ooforectomia pode ser necessária. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção. O residente deve estar apto a suspeitar, diagnosticar e encaminhar rapidamente esses casos para evitar sequelas graves, como infertilidade ou dor crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para torção anexial?

Os principais fatores de risco para torção anexial incluem a presença de massas ovarianas (especialmente cistos dermoides/teratomas, cistoadenomas, cistos paraovarianos), gravidez, indução da ovulação e ligadura tubária prévia. Massas maiores que 5 cm aumentam o risco de torção devido ao seu peso e mobilidade.

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico da torção anexial?

A ultrassonografia é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico da torção anexial. Achados sugestivos incluem ovário aumentado, presença de massa anexial, líquido livre no fundo de saco e, o mais crítico, a ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo no pedículo ovariano ao Doppler. A ausência de fluxo arterial é um sinal de gravidade.

Qual a conduta imediata em caso de suspeita de torção anexial?

A conduta imediata em caso de forte suspeita de torção anexial é a abordagem cirúrgica de urgência, preferencialmente por laparoscopia. O objetivo é destorcer o ovário e avaliar sua viabilidade. A rapidez na intervenção é crucial para tentar preservar o ovário e a tuba uterina, minimizando o risco de necrose e perda do órgão.

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