Torção Anexial: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Tatiana, 28 anos, nuligesta, comparece à unidade de emergência com quadro de dor súbita e intensa em fossa ilíaca direita, iniciada há 4 horas, de caráter em cólica, associada a náuseas e três episódios de vômitos. Relata ser portadora de um teratoma cístico maduro de 7,2 cm no ovário direito, com cirurgia eletiva programada para o próximo mês. Ao exame físico, encontra-se taquicárdica (FC 108 bpm), normotensa, afebril, com abdome doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca direita e sinal de Blumberg positivo. O teste de gravidez é negativo. Realizou ultrassonografia transvaginal com Doppler que evidenciou massa anexial de 7,5 cm, heterogênea, com áreas de calcificação; o Doppler demonstra fluxo arterial e venoso presentes, porém com índices de resistência elevados e fluxo venoso monofásico. Há moderada quantidade de líquido livre em pelve. Diante do quadro clínico e achados de imagem, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Internação para analgesia venosa e nova ultrassonografia com Doppler em 12 horas.
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome e pelve para exclusão de apendicite aguda.
  3. C) Laparoscopia de urgência com ooforectomia direita devido ao risco de embolia.
  4. D) Laparoscopia de urgência com distorção ovariana e ooforoplastia.

Pérola Clínica

Doppler com fluxo presente NÃO exclui torção anexial; a conduta é distorção + preservação folicular.

Resumo-Chave

A torção anexial é uma emergência cirúrgica onde a preservação do parênquima ovariano (distorção e ooforoplastia) é prioritária sobre a ooforectomia, mesmo em ovários com aspecto isquêmico.

Contexto Educacional

A torção anexial ocorre frequentemente em ovários com massas benignas maiores que 5 cm, como o teratoma cístico maduro. O pedículo vascular sofre rotação, interrompendo inicialmente o retorno venoso, o que causa edema e congestão, evoluindo para isquemia arterial. O quadro clínico de dor súbita, náuseas e vômitos é clássico. A abordagem cirúrgica moderna abandonou o dogma de que a distorção causaria embolia pulmonar; hoje sabe-se que esse risco é desprezível. Portanto, em pacientes jovens e com desejo reprodutivo, a preservação ovariana é a regra. A ooforoplastia (retirada do cisto) deve ser realizada preferencialmente no mesmo tempo cirúrgico ou em um segundo tempo após a redução do edema, visando evitar a recorrência da torção.

Perguntas Frequentes

O Doppler normal exclui torção ovariana?

Não. O fluxo Doppler pode estar presente em até 40-60% dos casos confirmados de torção. Isso ocorre devido ao suprimento sanguíneo duplo do ovário (artéria ovariana e ramos da artéria uterina) e porque a obstrução venosa/linfática precede a arterial. O diagnóstico é eminentemente clínico e cirúrgico.

Qual a cirurgia de escolha na torção anexial?

A conduta padrão-ouro atual é a laparoscopia de urgência para realizar a distorção do anexo. Após a distorção, avalia-se a viabilidade do tecido. Na presença de um cisto ou teratoma, realiza-se a ooforoplastia (cistectomia) para remover o fator desencadeante e prevenir recidivas, preservando o máximo de tecido ovariano funcional.

Por que não fazer ooforectomia de rotina em ovários escuros?

Estudos mostram que a maioria dos ovários com aparência isquêmica ou 'negra' recupera a função folicular e hormonal após a distorção. A ooforectomia deve ser reservada apenas para casos de necrose franca com sinais de infecção ou em mulheres na pós-menopausa com suspeita de malignidade.

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