Torção Anexial: Diagnóstico e Conduta na Emergência

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 15 anos, apresenta quadro de dor em FID, de início súbito, progressiva, de intensidade moderada a intensa, há cerca de 8 horas, acompanhada de náuseas e vômitos. Fez uso de sintomáticos no domicílio, sem sucesso. Menarca aos 11 anos, com ciclos irregulares. Última menstruação há 1 mês. Nega leucorreia. Ao exame físico, a paciente se encontra em BEG, normocorada, FC: 80bpm, FR: 16irpm, P.A.: 110x70 mmHg. Seu abdome é plano, flácido, doloroso à palpação profunda em FID, sem sinais claros de irritação peritoneal. Foi submetida a ultrassom à beira leito que evidenciou ovário direito aumentado de volume às custas de massa cística de cerca de 8cm, deslocado para a linha média em posição retrouterina e pequena quantidade de líquido na pelve. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Os dados apresentados sugerem abdome agudo de tratamento clínico secundário a lesão cística ovariana, sendo indicado tratamento sintomático e encaminhamento para avaliação ginecológica ambulatorial.
  2. B) Os dados fornecidos são altamente sugestivos de prenhez tubária não rôta, com abordagem via laparotomia preferencial à laparoscópica neste momento.
  3. C) A ultrassonografia com Doppler confirmaria a necessidade urgente de abordagem cirúrgica para esta paciente.
  4. D) Tanto os dados da história quanto do exame físico são inespecíficos e a ultrassonografia mostra doença cística não complicada, o que sugere que o quadro deve ser secundário a apendicite aguda em fase inicial.

Pérola Clínica

Dor súbita + massa anexial >5cm + náuseas → suspeitar de torção anexial; Doppler auxilia, mas não exclui.

Resumo-Chave

A torção anexial é uma emergência cirúrgica. O diagnóstico é clínico-radiológico, e a presença de fluxo ao Doppler não exclui a patologia.

Contexto Educacional

A torção anexial ocorre pela rotação parcial ou completa do ovário e/ou tuba sobre seu pedículo vascular, levando à obstrução venosa, edema e eventual isquemia arterial. Em adolescentes, frequentemente ocorre devido a cistos dermoides ou funcionais volumosos. O quadro clínico clássico envolve dor pélvica súbita, unilateral, frequentemente associada a náuseas e vômitos, mimetizando apendicite aguda. A ultrassonografia é o exame de escolha, revelando ovário aumentado, folículos periféricos deslocados pelo edema e, por vezes, o 'sinal do redemoinho' (whirlpool sign) no pedículo. A abordagem cirúrgica, preferencialmente por laparoscopia, deve ser imediata para tentar salvar a função ovariana e a fertilidade futura da paciente.

Perguntas Frequentes

Qual o achado ultrassonográfico mais comum na torção?

O achado mais frequente é o aumento do volume ovariano (edema) com deslocamento para a linha média ou posição retrouterina, frequentemente associado a um cisto ou massa pré-existente (como teratoma) que serviu de pivô para a rotação.

O Doppler normal exclui torção anexial?

Não. O Doppler pode mostrar fluxo arterial preservado em fases iniciais ou em torções intermitentes. A decisão cirúrgica deve ser baseada na suspeita clínica e achados de imagem como massa anexial e edema estromal.

Qual a conduta cirúrgica preferencial atualmente?

Atualmente preconiza-se a detorsão com preservação do ovário (mesmo que apresente aspecto isquêmico ou escurecido), reservando a ooforectomia apenas para casos de necrose franca com tecidos friáveis e sem qualquer evidência de viabilidade.

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