UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Paciente J.S.A., 18 anos, vem ao pronto atendimento de ginecologia com queixa de dor pélvica de início súbito de forte intensidade, associado com náuseas e vômitos, surgida há 3 horas e com piora na intensidade da dor, mesmo após ser medicada no PA. Segundo a mãe, paciente estava em uso de anticoncepcional oral há 3 meses para tratamento de cisto ovariano e traz a ultrassonografia do inicio do tratamento , que apresenta um cisto unilocular de 11,0 cm x 10,5 cm x 11,5 cm com volume de 632 cm³. Diante do quadro clínico, é correto afirmar que a hipótese diagnóstica é:
Dor pélvica súbita + náuseas/vômitos + cisto ovariano > 5 cm → Torção anexial.
A torção anexial é uma emergência ginecológica caracterizada por dor pélvica súbita e intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos, especialmente em pacientes com cistos ovarianos grandes (>5 cm), que atuam como fator de risco para a rotação do ovário e tuba.
A torção anexial é uma emergência ginecológica que ocorre quando o ovário e/ou a tuba uterina giram em torno de seus ligamentos de suporte, comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em mulheres em idade reprodutiva, sendo a presença de uma massa ovariana (cisto ou tumor) o principal fator de risco, especialmente se maior que 5 cm. O quadro clínico típico é de dor pélvica súbita, unilateral e de forte intensidade, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos, devido à irritação peritoneal e à dor visceral. A dor pode ser intermitente se a torção for parcial. A piora progressiva da dor, como no caso, sugere isquemia e necrose tecidual. O diagnóstico é primariamente clínico, complementado por exames de imagem como a ultrassonografia com Doppler, que pode evidenciar um ovário aumentado, edema e, em casos avançados, ausência de fluxo sanguíneo. O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado o mais rápido possível para tentar preservar o ovário, realizando a destorção e, se necessário, a ooforopexia.
Os principais fatores de risco incluem a presença de massas anexiais (cistos ou tumores ovarianos, especialmente >5 cm), gravidez, indução de ovulação e ligadura tubária prévia.
A ultrassonografia transvaginal com Doppler é o exame de imagem inicial mais útil, podendo mostrar ovário aumentado, edema, folículos periféricos e, em alguns casos, ausência de fluxo sanguíneo no ovário.
A prenhez ectópica rota geralmente cursa com atraso menstrual, teste de gravidez positivo, sangramento vaginal e sinais de choque hipovolêmico. A torção anexial pode ocorrer em qualquer fase do ciclo e não está ligada à gravidez.
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