MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 28 anos, previamente hígida, é trazida ao pronto-atendimento com queixa de dor súbita e intensa em fossa ilíaca direita, iniciada há cerca de 18 horas enquanto dormia. A dor é do tipo cólica, com episódios de piora, associada a múltiplos episódios de vômitos. Apresenta-se afebril, com frequência cardíaca de 98 bpm. O abdome é doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca direita, com sinal de Blumberg duvidoso. O teste de gravidez resultou negativo. A ultrassonografia transvaginal revelou ovário direito aumentado de volume (85 cm³), com cisto de 6,5 cm de conteúdo anecóico, presença do sinal do redemoinho (whirlpool sign) ao Doppler e ausência completa de fluxo vascular ao estudo com Doppler colorido. O ovário esquerdo apresenta aspecto normal. Considerando o tempo de evolução e os achados ultrassonográficos, assinale a alternativa correta:
Dor pélvica súbita + Massa anexial + Sinal do redemoinho → Laparoscopia com destorção imediata.
A torção anexial é uma emergência cirúrgica onde a preservação do órgão é a prioridade; a ausência de fluxo ao Doppler não confirma necrose irreversível, devendo-se proceder à destorção e observação.
A torção anexial ocorre frequentemente em ovários com cistos ou massas (geralmente > 5cm). O quadro clínico clássico é de dor súbita e intensa associada a náuseas e vômitos. O manejo conservador com destorção é preferível em pacientes em idade fértil, pois a capacidade de recuperação do tecido ovariano é notável, mesmo após períodos prolongados de isquemia venosa e arterial.
Não. O Doppler apresenta baixa sensibilidade para excluir torção e a ausência de fluxo não é sinônimo de necrose tecidual irreversível. Muitos ovários que parecem isquêmicos, congestos ou 'pretos' recuperam a função folicular e o aspecto macroscópico após a destorção cirúrgica, devido à dupla irrigação sanguínea do órgão.
Estudos modernos demonstram que o risco de tromboembolismo pulmonar (TEP) após a destorção anexial é extremamente baixo (próximo de zero), não justificando a ooforectomia primária por esse medo teórico. A preservação da função endócrina e reprodutiva deve ser priorizada em detrimento da remoção profilática do órgão.
A videolaparoscopia é o padrão-ouro tanto para o diagnóstico definitivo quanto para o tratamento. Ela permite a visualização direta, a destorção, a avaliação da viabilidade e, se necessário, a cistectomia. Frequentemente, a cistectomia é postergada para um segundo tempo cirúrgico para evitar trauma adicional ao tecido ovariano isquêmico e fragilizado.
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