IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021
Mulher de 27 anos apresenta dor aguda em baixo ventre, em pontada, de moderada/forte intensidade associada à distensão abdominal, sem melhora com analgesia. AP: G0P0,17o dia do ciclo menstrual. EF: dor de forte intensidade à palpação do baixo ventre, predominantemente em FID, DB(–), toque vaginal: massa de consistência cística, com ±5 cm de diâmetro em FID, intensa dor à mobilização do colo e à palpação de fundo de saco lateral direito. Ultrassonografia com Doppler apresentada a seguir:A conduta é:
Dor aguda em baixo ventre + massa anexial cística + dor à mobilização do colo + USG com Doppler alterado → Torção anexial = Laparoscopia de urgência.
A torção anexial é uma emergência ginecológica que causa dor aguda e intensa, frequentemente associada a uma massa anexial. A ultrassonografia com Doppler pode mostrar fluxo sanguíneo comprometido, mas o diagnóstico definitivo e o tratamento são cirúrgicos, preferencialmente por laparoscopia.
A torção anexial é uma condição ginecológica aguda que requer reconhecimento e intervenção rápidos para preservar a viabilidade do ovário. Caracteriza-se pela rotação do ovário e/ou trompa de Falópio em torno de seus ligamentos de suporte, comprometendo o fluxo sanguíneo. É mais comum em mulheres em idade reprodutiva e frequentemente associada à presença de massas ovarianas, como cistos. O quadro clínico típico inclui dor pélvica aguda e intensa, unilateral, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa anexial e haver dor à mobilização do colo. A ultrassonografia transvaginal com Doppler é o exame de imagem de escolha, podendo revelar um ovário aumentado, com edema estromal e, em casos avançados, ausência de fluxo arterial ou venoso. Contudo, a presença de fluxo não exclui o diagnóstico, pois a torção pode ser incompleta ou intermitente. A conduta para torção anexial é cirúrgica e de urgência, sendo a laparoscopia o método preferencial. O objetivo é a detorção do anexo para restabelecer o fluxo sanguíneo e, se possível, preservar o ovário. A remoção do anexo (ooferectomia) é reservada para casos de necrose irreversível. A rápida intervenção é crucial para minimizar o risco de perda ovariana e suas consequências futuras na fertilidade.
Dor abdominal aguda e intensa, em pontada, que pode ser acompanhada de náuseas, vômitos e massa palpável. A dor é súbita e não melhora com analgesia comum.
A USG pode mostrar um ovário aumentado, edemaciado e, em alguns casos, ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo no Doppler. No entanto, fluxo presente não exclui torção, pois a torção pode ser intermitente ou afetar apenas o fluxo venoso.
A laparoscopia permite o diagnóstico definitivo e a detorção do ovário, com ou sem cistectomia, preservando o tecido ovariano e evitando a necrose. É um procedimento minimamente invasivo e terapêutico.
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