Torção Anexial: Diagnóstico e Conduta no Abdome Agudo

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Mariana, 28 anos, previamente hígida, procura o pronto-atendimento com queixa de dor abdominal intensa em fossa ilíaca esquerda, de início súbito há cerca de 4 horas, logo após uma aula de ginástica. Relata que a dor é do tipo cólica, intermitente, e está associada a três episódios de vômitos. Nega febre, queixas urinárias ou atraso menstrual, informando que sua última menstruação ocorreu há 12 dias. Ao exame físico, apresenta-se afebril, com frequência cardíaca de 105 bpm e pressão arterial de 110/70 mmHg. O abdome apresenta-se doloroso à palpação profunda em anexo esquerdo, porém sem sinais claros de irritação peritoneal. O toque vaginal bimanual revela uma massa palpável em região anexial esquerda, extremamente dolorosa à mobilização. Foi realizada uma ultrassonografia transvaginal que demonstrou ovário esquerdo aumentado de volume (estimado em 78 cm³), com aspecto edemaciado, estroma hiperecogênico e presença de uma imagem cística de 5,5 cm com componentes internos sugestivos de gordura e calcificações. O Doppler colorido evidenciou ausência de fluxo venoso e arterial no parênquima ovariano esquerdo. O teste de gravidez (beta-hCG) resultou negativo. O diagnóstico mais provável para o quadro clínico descrito é:

Alternativas

  1. A) Torção anexial esquerda
  2. B) Ruptura de cisto folicular
  3. C) Apendicite aguda
  4. D) Doença Inflamatória Pélvica (DIP)

Pérola Clínica

Dor pélvica súbita + massa anexial + náuseas/vômitos + Doppler sem fluxo = Torção Anexial.

Resumo-Chave

A torção anexial é uma emergência cirúrgica onde a rotação do pedículo vascular ovariano causa isquemia; a presença de massas prévias, como teratomas, é o principal fator de risco.

Contexto Educacional

A torção anexial representa cerca de 3% das emergências ginecológicas cirúrgicas. A fisiopatologia envolve a obstrução inicial do retorno venoso e linfático devido à rotação do pedículo, levando a um edema massivo do parênquima ovariano. Com a progressão da pressão tecidual, ocorre o comprometimento do fluxo arterial, resultando em isquemia hemorrágica e eventual necrose. O diagnóstico é eminentemente clínico-radiológico. A tríade de dor súbita, massa palpável e náuseas/vômitos deve sempre levantar a suspeita. É fundamental diferenciar de outras causas de abdome agudo, como gravidez ectópica (afastada pelo beta-hCG negativo), ruptura de cisto hemorrágico (dor que tende a melhorar espontaneamente) e apendicite (dor geralmente migratória e com sinais inflamatórios sistêmicos mais proeminentes).

Perguntas Frequentes

Quais os principais achados ultrassonográficos na torção anexial?

Os achados clássicos incluem o aumento volumétrico do ovário (geralmente > 4 cm ou > 20 cm³), edema do estroma ovariano (que se torna hiperecogênico), e o deslocamento periférico de folículos. O sinal do 'redemoinho' (whirlpool sign), que representa o pedículo vascular torcido, é altamente específico. Ao Doppler, a ausência de fluxo venoso é comum e precede a perda do fluxo arterial. A presença de uma massa predisponente, como um cisto dermóide ou cistoadenoma, reforça a suspeita diagnóstica.

Por que o teratoma ovariano predispõe à torção?

O teratoma cístico maduro (cisto dermóide) é um tumor de células germinativas que frequentemente contém tecidos densos como gordura, cabelos e calcificações (dentes). Essa composição heterogênea altera o centro de gravidade do ovário e aumenta seu peso, facilitando a rotação do órgão em torno do ligamento infundíbulo-pélvico e do ligamento útero-ovariano, especialmente durante movimentos bruscos ou atividade física, como relatado no caso clínico.

Qual a conduta imediata na suspeita de torção anexial?

A conduta é a laparoscopia de urgência. O objetivo primordial é a destorção do anexo para tentativa de preservação da função ovariana e hormonal, mesmo que o ovário apresente aspecto cianótico ou congesto (isquemia não é sinônimo de necrose irreversível). A ooforectomia é reservada apenas para casos de necrose franca com sinais de infecção ou em pacientes pós-menopausadas. Se houver um cisto ou tumor, a cistectomia pode ser realizada no mesmo tempo cirúrgico ou em um segundo momento após a recuperação do tecido.

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