HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Mulher de 32 anos de idade chega ao pronto-socorro com queixa intensa de dor pélvica há cerca de 3 horas. Refere que estava na academia quando sentiu dor aguda e intensa na pelve, causando náusea e sensação de desmaio. Faz uso irregular de pílula contraceptiva. Tomou medicação analgésica e colocou bolsa de água quente, sem melhora, decidindo ir ao PS. Ao exame encontra-se normotensa, corada e afebril. Abdome bastante doloroso com descompressão brusca presente em fossa ilíaca direita. O toque vaginal demonstrou dor intensa à mobilização do colo, impossibilitando exame adequado. Realizada ultrassonografia pélvica, que mostrou imagem sólido-cística em região pélvica direita, medindo 8 cm. A equipe indicou cirurgia. Entre os seguintes achados cirúrgicos, o mais provável é
Dor pélvica aguda intensa + massa anexial + náusea/vômito + descompressão brusca = Torção anexial.
A torção anexial é uma emergência ginecológica caracterizada pela rotação do ovário e/ou trompa de Falópio em torno de seu pedículo vascular, levando à isquemia. É mais comum em mulheres com massas ovarianas (cistos, tumores) e se manifesta com dor pélvica súbita e intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos.
A torção anexial é uma condição ginecológica aguda que requer diagnóstico e intervenção rápidos para preservar a função ovariana. Embora rara, é uma causa importante de dor pélvica aguda em mulheres de todas as idades, sendo mais comum em pacientes com massas ovarianas pré-existentes, como cistos funcionais, teratomas ou endometriomas. O uso de pílulas contraceptivas, embora não seja um fator de risco direto para torção, pode influenciar o tamanho de cistos ovarianos. A fisiopatologia envolve a rotação do ovário e/ou trompa de Falópio em torno de seu pedículo, comprometendo o fluxo sanguíneo arterial e venoso. A isquemia resultante causa dor intensa. O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas, mas a suspeita clínica é crucial. A ultrassonografia pélvica com Doppler é o principal método diagnóstico, buscando sinais como ovário aumentado e ausência ou alteração do fluxo. O tratamento é cirúrgico, preferencialmente por laparoscopia, para destorcer o anexo. A viabilidade do ovário é avaliada após a destorção; a remoção (ooforectomia) é reservada para casos de necrose irreversível. O prognóstico é melhor com diagnóstico e tratamento precoces, enfatizando a importância de uma avaliação ginecológica completa em casos de dor pélvica aguda.
Os sintomas incluem dor pélvica súbita e intensa, frequentemente unilateral, que pode irradiar para a coxa ou região lombar, acompanhada de náuseas, vômitos e, por vezes, febre baixa. Ao exame físico, pode haver dor à palpação abdominal e à mobilização do colo uterino, além de massa anexial palpável.
A ultrassonografia com Doppler é o método de imagem de escolha. Pode revelar um ovário aumentado, edemaciado, com múltiplos folículos periféricos (sinal do 'colar de pérolas'), e a presença de uma massa anexial. A ausência de fluxo sanguíneo no Doppler é um achado sugestivo, mas sua presença não exclui o diagnóstico, pois o fluxo pode ser intermitente ou dual.
A torção anexial é uma emergência cirúrgica. A conduta é a laparoscopia exploratória para destorcer o ovário e avaliar sua viabilidade. Se o ovário for viável, realiza-se a ooforopexia para prevenir recorrências. Em casos de necrose irreversível, a ooforectomia pode ser necessária.
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