Torção Anexial: Diagnóstico e Manejo da Dor Abdominal Aguda

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 24 anos, saudável, é usuária de dispositivo intrauterino de cobre. Refere vida sexual ativa com uso de preservativos e última menstruação há 10 dias. Há 2 horas, iniciou-se uma dor de instalação aguda, de padrão constante, em fossa ilíaca direita, sem irradiação, associada a náuseas e vômitos. Nega sangramento vaginal, febre, dor lombar, mudança de hábito intestinal ou urinário. A ultrassonografia transvaginal evidenciou aumento do ovário direito, comprometimento do fluxo sanguíneo em região anexial do mesmo lado e líquido livre em fundo de saco.A hipótese mais provável é:

Alternativas

  1. A) gestação ectópica à direita;
  2. B) abscesso ovariano à direita;
  3. C) torção de ovário e tuba uterina à direita;
  4. D) apendicite;
  5. E) pielonefrite à direita.

Pérola Clínica

Dor aguda FID + USG ovário ↑ + fluxo ↓ + líquido livre = Torção anexial.

Resumo-Chave

A torção anexial é uma emergência ginecológica que causa dor abdominal aguda intensa devido à isquemia do ovário e/ou tuba. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por ultrassonografia com Doppler, que demonstra a ausência ou redução do fluxo sanguíneo.

Contexto Educacional

A torção anexial, que envolve o ovário e/ou a tuba uterina, é uma emergência ginecológica que requer diagnóstico e intervenção rápidos para preservar a viabilidade do anexo. Embora rara, é uma causa importante de dor abdominal aguda em mulheres de todas as idades, com pico de incidência em mulheres em idade reprodutiva. A presença de um cisto ou massa ovariana é um fator de risco significativo, pois pode desestabilizar o ovário e facilitar a torção. A fisiopatologia envolve a rotação do ovário e da tuba em torno de seu pedículo vascular, levando à obstrução do fluxo venoso e linfático, resultando em edema, congestão e, eventualmente, isquemia arterial e necrose. O quadro clínico clássico é dor abdominal aguda, unilateral, de início súbito, constante, frequentemente associada a náuseas e vômitos. O exame físico pode revelar dor à palpação abdominal e massa anexial. A ultrassonografia transvaginal com Doppler é o método diagnóstico de escolha, mostrando aumento do ovário, folículos periféricos, líquido livre e, crucialmente, ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo no pedículo. O tratamento da torção anexial é cirúrgico e deve ser realizado o mais rápido possível. A laparoscopia é a abordagem preferencial, permitindo a destorção do anexo e a avaliação de sua viabilidade. Se o tecido for viável, a ooforopexia pode ser considerada para prevenir recorrências. A preservação do ovário é o objetivo principal, especialmente em mulheres jovens e com desejo de gestar.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para torção anexial?

Fatores de risco incluem cistos ovarianos (especialmente > 5 cm), massas anexiais, gravidez, laqueadura tubária prévia e indução da ovulação.

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico da torção anexial?

A USG com Doppler é fundamental, evidenciando ovário aumentado, edema, folículos periféricos, líquido livre e, mais importante, ausência ou redução do fluxo sanguíneo arterial e/ou venoso no ovário.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de torção anexial?

A conduta é cirúrgica de emergência (laparoscopia ou laparotomia) para destorcer o ovário e avaliar sua viabilidade, visando preservar a função ovariana.

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