Torção de Cisto Anexial: Diagnóstico e Manejo de Urgência

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Nulípara, 25 anos, com dor abdominal intensa e súbita. Em uso de preservativo como método anticoncepcional. Nega atraso menstrual. Exame físico: palidez cutânea, PA = 110 x 70 mmHg, FC = 80 bpm, abdome doloroso à palpação profunda, sem dor à descompressão brusca. Exame especular: colo epitelizado, pH vaginal = 4,0 e teste de Whiff (hidróxido de potássio) negativo. Toque vaginal: colo cartilaginoso, não doloroso à mobilização; útero de tamanho, forma e consistência normais; anexo direito aumentado de tamanho, com aproximadamente 5 cm. Ultrassonografia: imagem complexa sólido cística anexial D de aproximadamente 5 cm de diâmetro. Pequena quantidade de líquido livre em fundo de saco vaginal. A hipótese diagnóstica mais provável é

Alternativas

  1. A) torção de cisto anexial.
  2. B) prenhez ectópica rota.
  3. C) cistoadenocarcinoma de ovário.
  4. D) tumor tubário.
  5. E) doença inflamatória pélvica.

Pérola Clínica

Dor súbita intensa + massa anexial + líquido livre em nulípara jovem = torção de cisto anexial.

Resumo-Chave

A torção de cisto anexial é uma emergência ginecológica que se manifesta com dor abdominal súbita e intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos. A presença de uma massa anexial ao exame físico e ultrassonografia, com ou sem líquido livre, em uma paciente jovem, mesmo sem atraso menstrual, é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A torção de cisto anexial é uma emergência ginecológica que ocorre quando o ovário e, por vezes, a tuba uterina, giram em torno de seus ligamentos de suporte, comprometendo o suprimento sanguíneo. É mais comum em mulheres em idade reprodutiva, especialmente na presença de cistos ovarianos ou massas anexiais, que aumentam o risco de torção. A apresentação clássica é dor pélvica súbita e intensa, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos, o que a torna um desafio diagnóstico. O diagnóstico da torção anexial é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. A ultrassonografia pélvica com Doppler é a ferramenta de imagem mais útil, podendo demonstrar um ovário aumentado, massa anexial e, idealmente, a ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo ovariano. No entanto, a presença de fluxo não exclui a torção, pois o suprimento arterial pode ser mantido mesmo com a drenagem venosa comprometida. O líquido livre na pelve pode ser um achado inespecífico, mas corrobora a hipótese. O manejo da torção anexial é cirúrgico e urgente, visando a destorção do ovário para restaurar o fluxo sanguíneo e preservar a função ovariana. A laparoscopia é a via preferencial, permitindo a visualização direta, destorção e, se necessário, remoção do cisto ou ooferectomia em casos de necrose irreversível. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar à perda do ovário, ressaltando a importância do reconhecimento rápido dessa condição.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da torção de cisto anexial?

Os principais sintomas incluem dor abdominal pélvica súbita, intensa e unilateral, que pode ser intermitente ou constante. Frequentemente, é acompanhada de náuseas, vômitos e, em alguns casos, febre baixa. A dor pode irradiar para a coxa ou região lombar.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico de torção anexial?

A ultrassonografia pélvica é o exame de imagem de escolha. Pode revelar um ovário aumentado com um cisto ou massa anexial, líquido livre no fundo de saco e, crucialmente, a ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo no ovário afetado ao Doppler, embora um fluxo presente não exclua o diagnóstico.

Qual o tratamento para a torção de cisto anexial?

O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado o mais rápido possível para tentar preservar o ovário. A abordagem preferencial é a laparoscopia, que permite a destorção do ovário e, se viável, a cistectomia. A ooferectomia é reservada para casos de necrose irreversível.

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