CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020
Homem, 50 anos, é trazido à emergência após acidente de carro com trauma torácico no volante. Sem instabilidade hemodinâmica, acordado, lúcido, FR 24 irpm, nota-se segmento do tórax a direita com respiração paradoxal. RX de tórax com múltiplas fraturas e arcos costais a direita. Mediastino normal. Gasometria arterial com máscara de O2: pH7,48 , pO2: 105 , Pco2: 35 mmHg. Qual a conduta?
Tórax instável sem instabilidade hemodinâmica/respiratória grave → controle da dor, O2, evitar hiper-hidratação, vigilância.
O tórax instável com respiração paradoxal é uma lesão grave, mas nem sempre exige intubação imediata. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, acordados e com boa oxigenação (pH e pO2 adequados), a conduta inicial foca no controle da dor, suplementação de oxigênio, evitar sobrecarga hídrica para prevenir piora da contusão pulmonar e monitorização rigorosa da função respiratória.
O tórax instável é uma lesão grave resultante de trauma torácico, caracterizada pela fratura de três ou mais costelas adjacentes em dois ou mais pontos, criando um segmento torácico que se move paradoxalmente durante a respiração. É frequentemente associado à contusão pulmonar subjacente, que é a principal causa de morbimortalidade. A epidemiologia está ligada a traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos. A fisiopatologia da respiração paradoxal compromete a ventilação e a oxigenação, aumentando o trabalho respiratório. A contusão pulmonar, por sua vez, causa edema e hemorragia no parênquima, prejudicando a troca gasosa. O diagnóstico é clínico pela observação da respiração paradoxal e confirmado por radiografia ou tomografia de tórax que mostram as fraturas costais. O tratamento inicial foca no suporte respiratório e no controle da dor. Em pacientes estáveis, a conduta inclui suplementação de oxigênio, analgesia agressiva (para otimizar a ventilação), fisioterapia respiratória, evitar hiper-hidratação e monitorização rigorosa. A fixação cirúrgica dos arcos costais pode ser considerada em casos selecionados, mas não é a conduta inicial para pacientes estáveis. A intubação e ventilação mecânica são reservadas para casos de insuficiência respiratória progressiva.
O principal sinal de tórax instável é a respiração paradoxal, onde o segmento torácico afetado se move para dentro durante a inspiração e para fora durante a expiração, oposto ao movimento normal do restante do tórax.
A intubação é indicada em pacientes com tórax instável que apresentam insuficiência respiratória progressiva, hipoxemia refratária, hipercapnia, instabilidade hemodinâmica ou rebaixamento do nível de consciência.
A hiper-hidratação deve ser evitada em trauma torácico, especialmente na presença de contusão pulmonar, pois pode agravar o edema pulmonar e piorar a função respiratória.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo