MedEvo Simulado — Prova 2026
Joaquim, 52 anos, é levado à unidade de emergência após sofrer uma queda de aproximadamente 4 metros de altura em um canteiro de obras. Na admissão, apresenta-se taquipneico (frequência respiratória de 26 incursões por minuto), consciente e orientado, com pressão arterial de 130/85 mmHg, frequência cardíaca de 96 bpm e saturação de oxigênio de 93% em uso de cateter nasal de O2 a 3 L/min. Ao exame físico do tórax, observa-se uma área na parede lateral direita com movimento paradoxal durante a respiração, associada à dor intensa à palpação e crepitação óssea. A ausculta pulmonar revela murmúrio vesicular reduzido na base direita, sem desvio de traqueia ou turgência jugular. A radiografia de tórax mostra fraturas do 4º ao 8º arcos costais direitos, cada um em dois pontos distintos, além de uma opacidade pulmonar subjacente às fraturas. Diante desse quadro clínico de tórax flácido, a conduta imediata mais adequada é:
Tórax flácido → Analgesia potente + Fisioterapia (evitar IOT se possível).
O tratamento do tórax flácido foca no controle da dor e expansão pulmonar para prevenir pneumonia, reservando a ventilação mecânica para falha clínica.
O tórax flácido ocorre quando duas ou mais costelas consecutivas são fraturadas em dois ou mais pontos, criando um segmento desprendido que se move paradoxalmente. A fisiopatologia da hipoxemia está mais ligada à contusão pulmonar subjacente e à dor que limita a ventilação do que ao movimento paradoxal propriamente dito. O tratamento moderno prioriza a analgesia multimodal (frequentemente regional) e a fisioterapia respiratória agressiva. A fixação cirúrgica (osteossíntese) é reservada para casos selecionados, como falha no desmame ventilatório ou deformidades graves da parede torácica, mas não é a conduta imediata padrão.
A intubação orotraqueal (IOT) no tórax flácido não é mandatória apenas pela instabilidade da parede. Ela deve ser indicada em casos de insuficiência respiratória franca (PaO2 < 60 mmHg ou SatO2 < 90% em ar ambiente), rebaixamento do nível de consciência, choque grave ou necessidade de cirurgia de urgência. O conceito de 'estabilização pneumática interna' rotineira foi substituído por uma abordagem conservadora focada em analgesia e suporte ventilatório não invasivo sempre que possível.
A analgesia regional é considerada o padrão-ouro. Opções incluem o bloqueio peridural (se não houver contraindicações como coagulopatia ou choque), bloqueio de nervo intercostal ou bloqueio do plano eretor da espinha (ESP block). O controle efetivo da dor permite que o paciente realize incursões respiratórias profundas e colabore com a fisioterapia, reduzindo drasticamente a incidência de atelectasias e pneumonias secundárias.
A contusão pulmonar é a lesão do parênquima subjacente e é a principal causa de hipoxemia no tórax flácido, mais do que a mecânica da parede em si. O manejo envolve restrição criteriosa de fluidos (para não piorar o edema pulmonar na área contusa) e suporte de oxigênio. A monitorização rigorosa é essencial, pois a opacidade radiológica e a piora clínica podem progredir nas primeiras 24 a 48 horas após o trauma.
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