ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um homem de 26 anos foi admitido na emergência após um acidente de motocicleta. Ao exame físico, apresenta dor torácica intensa e dificuldade respiratória com saturação de 84%. Observa-se tórax flácido, com segmento da parede torácica que se move paradoxalmente. Há crepitação quando da palpação do gradil costal. Diante desse quadro, a melhor abordagem inicial para o manejo do paciente é:
Tórax flácido + Hipóxia/Desconforto → IOT e Ventilação Mecânica imediata.
No tórax flácido com insuficiência respiratória (SatO2 84%), a estabilização pneumática via ventilação mecânica é a prioridade para garantir a oxigenação e tratar a contusão pulmonar associada.
O manejo do tórax flácido evoluiu de fixações cirúrgicas agressivas para o suporte ventilatório e analgesia otimizada. A fisiopatologia da hipóxia no tórax flácido não se deve apenas ao movimento paradoxal, mas principalmente à contusão pulmonar que ocorre no parênquima abaixo das fraturas. O ATLS enfatiza que a prioridade é a oxigenação; se o paciente não mantém trocas gasosas adequadas, a intubação orotraqueal é o próximo passo imediato.
O tórax flácido ocorre quando há fratura de pelo menos dois ou mais arcos costais consecutivos, em dois ou mais pontos de cada arco. Isso cria um segmento da parede torácica que perde a continuidade óssea com o restante do gradil, resultando no movimento paradoxal: o segmento retrai durante a inspiração (pressão negativa intratorácica) e protrui durante a expiração.
Embora nem todo tórax flácido precise de intubação, ela é mandatória quando há insuficiência respiratória associada (SatO2 < 90% em ar ambiente, taquipneia importante ou esforço respiratório). A ventilação por pressão positiva atua como uma 'estabilização interna' ou pneumática do segmento flácido e é essencial para tratar a contusão pulmonar subjacente, que é a real causa da hipóxia.
A analgesia é fundamental no manejo a longo prazo para permitir uma expansão torácica adequada e prevenir atelectasias e pneumonias. Em pacientes estáveis, a analgesia regional (epidural ou bloqueio de nervo intercostal) pode evitar a necessidade de ventilação mecânica. No entanto, em um cenário de emergência com saturação de 84%, a via aérea e a ventilação precedem o controle da dor.
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