SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Em relação à toracotomia de ressuscitação, assinale a alternativa CORRETA:
Tamponamento no trauma → abrir pericárdio longitudinal e anterior para evitar lesão do nervo frênico.
A toracotomia de ressuscitação exige abertura pericárdica anterior e longitudinal. A pericardiocentese por agulha é ineficaz no trauma agudo devido a coágulos.
A toracotomia de ressuscitação é uma medida extrema indicada em pacientes com trauma penetrante que apresentam sinais de vida ou atividade elétrica sem pulso presenciada. O objetivo é a descompressão de tamponamento, controle de hemorragia intratorácica, massagem cardíaca direta e clampeamento da aorta. A técnica padrão envolve a toracotomia anterolateral esquerda no 4º ou 5º espaço intercostal. A compreensão da anatomia do nervo frênico é vital para evitar sequelas respiratórias permanentes. O uso de vasopressores em altas doses durante a fase de ressuscitação cirúrgica ativa é controverso e pode piorar a perfusão tecidual periférica antes do controle volêmico e da fonte de sangramento.
A abertura do pericárdio deve ser realizada de forma longitudinal e anterior ao nervo frênico. O nervo frênico percorre a face lateral do pericárdio; portanto, uma incisão lateral ou transversa aumenta significativamente o risco de lesão iatrogênica desse nervo, o que comprometeria a função diafragmática do paciente em caso de sobrevivência. A abordagem anterior permite visualização direta do coração e acesso rápido para evacuação de coágulos e controle de ferimentos miocárdicos.
O clampeamento da aorta descendente é uma manobra para redistribuir o fluxo sanguíneo para o cérebro e coração, além de reduzir hemorragias infradiafragmáticas. No entanto, o tempo de clampeamento não deve ultrapassar 30 a 45 minutos. O limite de 90 minutos citado em algumas alternativas é excessivo e está associado a taxas inaceitáveis de isquemia medular, insuficiência renal aguda e isquemia mesentérica grave, levando à falência de múltiplos órgãos no pós-operatório.
No contexto do trauma, o tamponamento cardíaco geralmente é composto por sangue coagulado. A pericardiocentese com agulha (técnica de Marfan) tem baixa taxa de sucesso na descompressão efetiva porque a agulha obstrui facilmente com os coágulos. Além disso, o procedimento atrasa o tratamento definitivo (toracotomia) e apresenta risco de lesão direta das artérias coronárias ou do miocárdio em um ambiente de ressuscitação dinâmica.
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