Derrame Pleural: Quando Realizar Toracocentese Diagnóstica

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 40 anos de idade, procura pronto-atendimento queixando-se de dispneia, tosse com expectoração amarelada e febre, há 48 horas. Nega comorbidades ou tabagismo. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, com FR: 28irpm, PA: 120x70mmHg, FC: 90bpm, Temperatura axilar: 38,0°C, SatO₂: 94%. Ao exame torácico, macicez à percussão e murmúrios vesiculares abolidos nos dois terços inferiores de hemitórax direito, sem ruídos adventícios à ausculta. Radiografia de tórax evidenciou derrame pleural à direita. Com base nos dados do caso clínico, A conduta diagnóstica mais adequada, neste momento, é

Alternativas

  1. A) não realizar procedimento invasivo, pois a presença de febre indica que o derrame é parapneumônico.
  2. B) realizar toracocentese para esvaziamento completo do derrame, visto que há infecção associada. 
  3. C) puncionar na linha hemiescapular direita, na borda inferior do arco costal, logo abaixo do limite superior do derrame.
  4. D) realizar toracocentese diagnóstica para avaliar a etiologia do derrame.

Pérola Clínica

Derrame pleural + febre + sintomas respiratórios → toracocentese diagnóstica para etiologia.

Resumo-Chave

Em um paciente com febre, dispneia e derrame pleural novo, a toracocentese diagnóstica é fundamental para determinar a etiologia do derrame, diferenciando, por exemplo, um derrame parapneumônico simples de um empiema ou outras causas. A análise do líquido pleural guiará a conduta terapêutica adequada.

Contexto Educacional

O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, uma condição comum que pode ser causada por diversas etiologias, incluindo infecções, insuficiência cardíaca, neoplasias e doenças autoimunes. A apresentação clínica varia de assintomática a sintomas como dispneia, dor torácica e tosse, dependendo do volume e da causa do derrame. O exame físico pode revelar macicez à percussão, diminuição ou abolição dos murmúrios vesiculares e diminuição da expansibilidade torácica. A radiografia de tórax é o método inicial para identificar o derrame pleural, mas a ultrassonografia torácica é superior para detectar pequenos volumes e guiar procedimentos. Em casos de derrame pleural de causa desconhecida, especialmente quando associado a sintomas como febre, a toracocentese diagnóstica é a conduta mais adequada. Este procedimento consiste na punção do espaço pleural para coleta e análise do líquido, que pode fornecer informações cruciais sobre sua etiologia (exsudato vs. transudato, presença de células malignas, bactérias, etc.). No caso clínico apresentado, a paciente com febre, dispneia, tosse com expectoração amarelada e derrame pleural à direita sugere um derrame parapneumônico. No entanto, sem a análise do líquido pleural, não é possível diferenciar um derrame parapneumônico simples (que pode ser tratado com antibióticos) de um complicado ou empiema (que requer drenagem). Portanto, a toracocentese diagnóstica é essencial para guiar a terapia, evitando condutas inadequadas como o esvaziamento completo sem análise ou a não realização de procedimento invasivo quando necessário. A punção deve ser feita com segurança, acima da borda superior da costela inferior, para evitar lesão do feixe neurovascular.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para realizar uma toracocentese diagnóstica?

A toracocentese diagnóstica é indicada para a maioria dos derrames pleurais de causa desconhecida, especialmente quando são novos, unilaterais, ou associados a sintomas como febre, dor torácica e dispneia, para determinar sua etiologia.

Como diferenciar um derrame parapneumônico simples de um complicado ou empiema?

A diferenciação é feita pela análise do líquido pleural obtido na toracocentese. Um derrame parapneumônico complicado ou empiema geralmente apresenta pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3x o limite superior do soro, presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura positiva, e/ou pus macroscópico.

Qual a técnica correta para a realização da toracocentese?

A toracocentese deve ser realizada com o paciente sentado, inclinado para frente, com os braços apoiados. O local de punção é geralmente no 7º ou 8º espaço intercostal, na linha hemiclavicular ou axilar média, sempre acima da borda superior da costela inferior para evitar lesão neurovascular, e guiada por ultrassom quando possível.

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