UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Num pronto-atendimento, chega uma mulher com quadro de taquipneia importante, associada à tosse seca, que aumenta durante exercício. Na radiografia de tórax, é visto um derrame pleural bilateral maior à esquerda, ocupando 2/3 do hemitórax esquerdo. Nesse caso, a conduta esperada do médico plantonista é
Derrame pleural volumoso + dispneia → Toracocentese de alívio e diagnóstica é a conduta inicial.
Um derrame pleural volumoso, especialmente se bilateral e causando taquipneia e tosse seca, exige uma toracocentese. Este procedimento tem dupla finalidade: aliviar os sintomas respiratórios pela remoção do líquido e obter amostras para análise diagnóstica, permitindo diferenciar entre exsudato e transudato e identificar a etiologia subjacente, o que é crucial para o tratamento definitivo.
O derrame pleural é uma condição comum que pode causar sintomas respiratórios significativos, como taquipneia e tosse seca, especialmente quando volumoso. A presença de um derrame pleural bilateral, maior à esquerda e ocupando 2/3 do hemitórax esquerdo, como descrito no caso, indica um volume considerável de líquido que provavelmente está comprometendo a função pulmonar da paciente. A conduta inicial nesses casos é crucial para o alívio sintomático e o diagnóstico etiológico. A toracocentese é o procedimento de escolha para o manejo inicial de um derrame pleural volumoso e sintomático. Ela serve a dois propósitos principais: alívio da dispneia pela remoção do líquido (toracocentese de alívio) e obtenção de amostras do líquido pleural para análise laboratorial (toracocentese diagnóstica). A análise do líquido pleural é fundamental para diferenciar entre exsudato e transudato, e para identificar a causa subjacente do derrame, o que direcionará o tratamento específico. Outras opções, como a drenagem de tórax em selo d’água bilateral ou a intubação orotraqueal, não são a primeira conduta esperada. A drenagem é reservada para casos de empiema, hemotórax ou derrames complicados, geralmente após a toracocentese diagnóstica. A intubação é uma medida de suporte avançado para insuficiência respiratória grave e não aborda a causa do derrame. Portanto, a toracocentese de alívio e diagnóstica é a abordagem mais apropriada e menos invasiva para iniciar a investigação e o tratamento neste cenário.
Um derrame pleural volumoso é indicado por taquipneia importante, dispneia (especialmente ao exercício), tosse seca e, no exame físico, macicez à percussão e diminuição ou abolição do murmúrio vesicular na área afetada. Na radiografia de tórax, ocupa uma porção significativa do hemitórax, como 2/3 do hemitórax esquerdo no caso.
A toracocentese de alívio visa remover o excesso de líquido pleural para melhorar a função respiratória e aliviar a dispneia do paciente. A toracocentese diagnóstica coleta uma amostra do líquido para análise laboratorial (bioquímica, citologia, microbiologia), essencial para diferenciar entre exsudato e transudato e determinar a etiologia do derrame, guiando o tratamento específico.
A drenagem de tórax é preferível à toracocentese quando há evidência de empiema pleural (pus franco), hemotórax (sangue no espaço pleural), quilotórax, ou derrame parapneumônico complicado que não responde à toracocentese. Nesses casos, a drenagem contínua é necessária para evacuar o líquido e prevenir complicações.
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