Discos de Plácido na Topografia Corneana: Princípios e Uso

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Com relação à projeção de discos de Plácido sobre a córnea, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Quanto mais distantes entre si os anéis, numa determinada região da córnea, menos curva será a córnea nesse ponto, em comparação ao local onde os anéis estão mais próximos uns dos outros.
  2. B) Permite a obtenção dos mapas de elevação das superfícies anterior e posterior da córnea e consequentemente, a derivação para obtenção do mapa paquimétrico.
  3. C) Essa técnica pode ser utilizada nos pacientes com suspeita de olho seco para se obter de modo indireto a medida da osmolaridade do filme lacrimal.
  4. D) Ao se converter a imagem em mapas coloridos, a presença da cor vermelha nos mapas indica córnea ectásica, sem diferenciar, no entanto, casos de ceratocone, degeneração marginal pelúcida ou ectasia após cirurgia refrativa.

Pérola Clínica

Anéis de Plácido afastados = Córnea plana; Anéis próximos = Córnea curva.

Resumo-Chave

A topografia por discos de Plácido avalia a curvatura da superfície anterior da córnea; a distância entre os reflexos dos anéis é inversamente proporcional ao poder dióptrico local.

Contexto Educacional

A topografia corneana por reflexão é uma ferramenta essencial na prática oftalmológica moderna, permitindo o mapeamento detalhado do astigmatismo e a detecção precoce de ectasias. O princípio físico baseia-se na reflexão especular, onde a córnea funciona como o elemento óptico principal. Embora tecnologias mais recentes como a tomografia (Scheimpflug) ofereçam uma visão tridimensional completa, os discos de Plácido continuam sendo o padrão para analisar a regularidade da superfície anterior. O conhecimento da relação entre a separação dos anéis e a curvatura é fundamental para a interpretação correta dos mapas axiais e tangenciais, influenciando desde a adaptação de lentes de contato até o planejamento de cirurgias refrativas.

Perguntas Frequentes

Como os discos de Plácido medem a curvatura da córnea?

O sistema utiliza a projeção de anéis concêntricos iluminados (discos de Plácido) sobre a córnea, que atua como um espelho convexo. A imagem refletida (primeira imagem de Purkinje) é capturada por uma câmera. A distância entre os anéis refletidos é analisada: em áreas onde a córnea é mais plana (menor curvatura), os anéis aparecem mais afastados entre si; em áreas mais curvas (maior poder dióptrico), os anéis ficam mais próximos.

Quais são as limitações da topografia baseada em discos de Plácido?

A principal limitação é que ela avalia apenas a superfície anterior da córnea (interface filme lacrimal-epitélio). Ela não fornece dados sobre a superfície posterior ou sobre a espessura corneana (paquimetria). Além disso, a qualidade da imagem depende estritamente da integridade do filme lacrimal; pacientes com olho seco severo podem apresentar mapas irregulares falsos devido à quebra precoce da lágrima.

O que as cores nos mapas topográficos representam?

Os mapas coloridos utilizam uma escala cromática para representar o poder dióptrico ou o raio de curvatura. Cores 'quentes' (vermelho, laranja) indicam áreas de maior curvatura ou maior poder dióptrico (comuns em ceratocone). Cores 'frias' (azul, violeta) indicam áreas mais planas ou de menor poder. É importante notar que a cor vermelha indica apenas alta curvatura, não sendo específica para uma patologia única, podendo ocorrer em ectasias, cicatrizes ou pós-operatórios.

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