HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020
Paciente de 19 anos, previamente hígido, sem comorbidades, iniciou há 2 meses quadro de diminuição da sensibilidade em membro superior esquerdo, que evoluiu ao longo dos meses com dificuldade para abotoar a roupa com a mão esquerda. Há 2 dias, começou a apresentar quadro de cefaleia, que se seguiu de episódios de vômitos há 1 dia e no dia que procurou o Pronto Socorro do Hospital. Considerando uma topografia única causando toda a sintomatologia, podemos pensar em:
Déficit sensitivo progressivo + sinais de HIC (cefaleia/vômitos) → Lesão expansiva supratentorial (ex: Tálamo).
A evolução de um déficit sensitivo focal para sinais de hipertensão intracraniana sugere uma lesão expansiva em estruturas profundas que comprimem vias motoras e obstruem a drenagem liquórica.
A localização neuroanatômica baseia-se na integração de sinais focais e sinais de alerta global. O paciente de 19 anos apresenta um quadro subagudo (2 meses) que começou com déficit sensitivo puro, evoluiu para déficit motor fino e culminou com sinais clássicos de hipertensão intracraniana (cefaleia e vômitos). Estruturas como o tálamo e os núcleos da base são localizações críticas onde pequenas lesões expansivas (como tumores ou abscessos) podem afetar múltiplas funções devido à alta densidade de fibras nervosas e proximidade com o sistema ventricular. A lateralidade esquerda dos sintomas direciona o diagnóstico para o hemisfério direito (contralateral).
O tálamo é o principal centro de retransmissão sensitiva do cérebro. Uma lesão nesta área explica a diminuição da sensibilidade contralateral. A progressão para dificuldade motora (abotoar roupa) ocorre pela proximidade com a cápsula interna. Além disso, lesões expansivas nesta região podem causar hidrocefalia obstrutiva ou efeito de massa, gerando cefaleia e vômitos (hipertensão intracraniana).
A presença de cefaleia e vômitos em jato é um forte indicativo de patologia do Sistema Nervoso Central (SNC) com aumento da pressão intracraniana. Lesões periféricas (como mononeuropatias) não causam sintomas sistêmicos cranianos e costumam seguir dermátomos ou territórios de nervos específicos sem progressão para sinais de HIC.
Significa que a lesão está no lado oposto aos sintomas físicos. Como as vias sensitivas e motoras decussam (cruzam) antes de chegar aos centros superiores ou após sair deles, uma lesão no hemisfério cerebral direito (incluindo tálamo e núcleos da base) manifestará sintomas no lado esquerdo do corpo.
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