Lesão Medular Torácica: Sinais Clínicos e Topografia

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 31 anos vai ao pronto-socorro, queixando-se de fraqueza nos membros inferiores há 3 dias. Associados ao quadro, desenvolveu também retenção urinária e constipação intestinal. Ao exame físico, apresenta paraparesia com hiperreflexia de patelares e aquileus, sinal de Babinski bilateral e nível sensitivo na altura do umbigo.Esses achados topografam a lesão na

Alternativas

  1. A)  célula de Schwann.
  2. B) medula torácica.
  3. C) fissura inter-hemisférica.
  4. D) junção neuromuscular.

Pérola Clínica

Paraparesia + hiperreflexia + Babinski + nível sensitivo + disfunção esfincteriana = lesão medular torácica.

Resumo-Chave

A presença de paraparesia com hiperreflexia, sinal de Babinski bilateral, nível sensitivo bem definido (T10, na altura do umbigo) e disfunção esfincteriana (retenção urinária e constipação) indica claramente uma lesão de neurônio motor superior na medula espinhal, especificamente na medula torácica, pois o nível sensitivo T10 corresponde a essa região.

Contexto Educacional

A topografia de lesões neurológicas é um pilar fundamental da semiologia. O caso clínico apresenta um conjunto de sinais que apontam inequivocamente para uma lesão medular. A fraqueza em membros inferiores (paraparesia), associada a hiperreflexia e sinal de Babinski bilateral, são características de comprometimento do trato corticoespinhal, ou seja, uma lesão de neurônio motor superior. Isso diferencia de lesões de nervos periféricos ou junção neuromuscular, que tipicamente causam hiporreflexia ou arreflexia. Além dos achados motores, a presença de um nível sensitivo bem definido (na altura do umbigo, correspondendo ao dermátomo T10) é um forte indicador de lesão medular. A disfunção autonômica, manifestada por retenção urinária e constipação intestinal, também é um sintoma comum de mielopatia, pois as vias autonômicas para a bexiga e o intestino transitam pela medula espinhal. A combinação desses achados permite localizar a lesão na medula torácica. Para o residente, é essencial dominar a correlação entre os sintomas neurológicos e a anatomia. A compreensão de que hiperreflexia e Babinski indicam lesão de via longa (medular ou cerebral), enquanto arreflexia indica lesão periférica, é crucial. A identificação do nível sensitivo é a chave para a localização vertical da lesão medular, direcionando a investigação diagnóstica (ex: ressonância magnética da coluna torácica) e o manejo.

Perguntas Frequentes

Quais achados clínicos indicam uma lesão na medula espinhal torácica?

A paraparesia (fraqueza em membros inferiores), hiperreflexia patelar e aquileu, sinal de Babinski bilateral, nível sensitivo bem definido (neste caso, na altura do umbigo, correspondendo a T10) e disfunção autonômica como retenção urinária e constipação são marcadores de lesão medular torácica.

Por que a hiperreflexia e o sinal de Babinski são importantes para localizar a lesão?

A hiperreflexia e o sinal de Babinski são indicativos de lesão do trato corticoespinhal (neurônio motor superior), que cursa pela medula espinhal. Sua presença, juntamente com a fraqueza, sugere que a lesão está no sistema nervoso central, acima do nível dos núcleos dos nervos periféricos que inervam os músculos afetados.

Como o nível sensitivo ajuda na topografia da lesão medular?

O nível sensitivo é crucial para determinar a altura da lesão medular. Cada dermátomo corresponde a um segmento medular específico. Um nível sensitivo na altura do umbigo indica comprometimento do segmento medular T10, permitindo uma localização precisa da lesão na medula torácica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo