SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Homem, 74 anos, hipertenso e dislipidêmico, procura atendimento por tontura recorrente há 3 meses. Refere sensação de instabilidade ao caminhar, pior em ambientes pouco iluminados. Nega vertigem rotatória, zumbido ou perda auditiva. Relata uso de hidroclorotiazida e atorvastatina. Ao exame físico, apresenta marcha cautelosa e dependência de apoio visual, sem déficits neurológicos focais. Prova de Dix-Hallpike é negativa. Qual é a causa mais provável da tontura nesse paciente?
Instabilidade + Piora no escuro + Sem vertigem rotatória → Tontura Multissensorial do Idoso.
A tontura no idoso é frequentemente multifatorial, resultando da degradação fisiológica dos sistemas visual, vestibular e proprioceptivo, dificultando a manutenção do equilíbrio em condições adversas.
O equilíbrio humano depende da integração central de estímulos provenientes de três sistemas: visual, vestibular e somatossensorial (propriocepção). Com o envelhecimento, ocorre uma redução fisiológica da acuidade visual, da densidade de células ciliadas no labirinto e da sensibilidade dos mecanorreceptores periféricos. Quando múltiplos sistemas apresentam déficits subclínicos, o sistema nervoso central não consegue compensar a perda, resultando na tontura multissensorial. O diagnóstico é clínico e de exclusão de causas específicas (como arritmias, neuropatias ou vestibulopatias agudas). O tratamento foca na reabilitação vestibular, correção de déficits sensoriais (óculos, iluminação adequada) e revisão da polifarmácia para reduzir o risco de quedas.
A tontura multissensorial, ou presbiastasia, é uma síndrome comum no envelhecimento caracterizada por uma sensação de instabilidade ou desequilíbrio ao caminhar, em vez de uma vertigem rotatória verdadeira. Os pacientes frequentemente relatam 'medo de cair' e apresentam piora significativa dos sintomas em ambientes com pouca iluminação ou superfícies irregulares, pois dependem excessivamente da visão para compensar déficits proprioceptivos e vestibulares leves.
A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) manifesta-se como episódios breves (segundos) de vertigem rotatória intensa desencadeada por movimentos da cabeça, como deitar-se ou virar na cama, e é confirmada pela manobra de Dix-Hallpike. Já a tontura multissensorial é uma queixa contínua de instabilidade durante a locomoção, sem nistagmo posicional e sem relação direta com movimentos rápidos da cabeça, mas sim com a falta de referências sensoriais adequadas.
Medicamentos são causas frequentes ou agravantes de tontura em idosos. Diuréticos e anti-hipertensivos podem causar hipotensão ortostática; benzodiazepínicos e neurolépticos afetam o controle motor central e a cognição; e medicamentos com efeito anticolinérgico podem prejudicar a visão e a função vestibular. No caso clínico, embora o paciente use hidroclorotiazida, a descrição de piora no escuro e instabilidade na marcha direciona mais para a falha multissensorial do que para a queda pressórica postural isolada.
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