Tontura em Idosos: Quando Suspeitar de AVC e Investigar

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Uma idosa de 78 anos de idade, diabética, hipertensa e dislipidêmica, dirigiu‑se ao pronto‑socorro com queixa de tontura contínua e espontânea, iniciada no dia anterior, com bastante náusea associada. Ela realizou TC de crânio, sem alterações isquêmicas ou hemorrágicas. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A paciente provavelmente apresenta quadro de labirintite aguda, sem sinais de alarme, podendo receber alta para casa com cinarizina e dramin.
  2. B) Em pacientes idosos com alto risco cardiovascular, o padrão contínuo e não provocado de tontura deve ser investigado com RNM de crânio.
  3. C) Dado o tempo de evolução, caso fosse um acidente vascular encefálico, já se observariam lesões isquêmicas na TC. O diagnóstico mais provável é VPPB.
  4. D) Dado o tempo de evolução, caso fosse um acidente vascular encefálico, já se observariam lesões isquêmicas na TC. O diagnóstico mais provável é neurite vestibular.
  5. E) O quadro sugere doença de Menière, mas deve haver internação, para que se descartem outras causas menos prováveis, como acidente vascular encefálico.

Pérola Clínica

Tontura contínua e espontânea em idoso com FR CV + TC normal → Investigar AVC posterior com RNM.

Resumo-Chave

Em idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular, uma tontura contínua e espontânea, mesmo com TC de crânio normal (que pode não detectar lesões isquêmicas recentes na fossa posterior), deve levantar a suspeita de um evento isquêmico central, necessitando de investigação mais aprofundada com RNM.

Contexto Educacional

A tontura é uma queixa comum em idosos, e sua etiologia pode variar de condições benignas periféricas (como Vertigem Posicional Paroxística Benigna - VPPB ou neurite vestibular) a causas centrais graves, como o Acidente Vascular Encefálico (AVE). Em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular (diabetes, hipertensão, dislipidemia), a suspeita de uma causa central deve ser elevada, especialmente quando a tontura é contínua e espontânea, sem um gatilho posicional claro. A avaliação inicial de um paciente com tontura deve incluir uma anamnese detalhada sobre as características da tontura (duração, frequência, fatores desencadeantes, sintomas associados) e um exame físico neurológico e otoneurológico completo. A tomografia computadorizada (TC) de crânio é frequentemente o primeiro exame de imagem realizado no pronto-socorro, mas sua sensibilidade para detectar lesões isquêmicas agudas, especialmente na fossa posterior (cerebelo e tronco encefálico), é limitada nas primeiras horas. Nesse contexto, a Ressonância Magnética (RNM) de crânio, particularmente com sequências de difusão (DWI), é o método de imagem de escolha para detectar isquemia cerebral precoce e diferenciar causas centrais de tontura. Portanto, em um idoso de alto risco com tontura contínua e espontânea e TC de crânio normal, a RNM é crucial para descartar um AVE isquêmico, que pode ter consequências devastadoras se não for diagnosticado e tratado precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme para tontura em idosos?

Sinais de alarme incluem tontura contínua e espontânea, associada a déficits neurológicos focais, cefaleia súbita, ou em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, sugerindo uma causa central como AVC.

Por que a TC de crânio pode ser normal em um AVC isquêmico?

A tomografia computadorizada pode não detectar lesões isquêmicas agudas nas primeiras horas, especialmente em áreas como a fossa posterior, onde artefatos ósseos e a baixa densidade do tecido dificultam a visualização. A RNM é mais sensível para isquemia precoce.

Como diferenciar tontura central de periférica em idosos?

A tontura central (AVC) é frequentemente contínua, sem posição desencadeante específica, e pode vir acompanhada de outros sinais neurológicos. A tontura periférica (VPPB, neurite) é geralmente episódica, posicional ou associada a sintomas otológicos, mas a sobreposição exige cautela em idosos de risco.

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