HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020
A prática médica é realizada, na maior parte das vezes, de forma vertical, em que o médico decide a melhor opção de tratamento ou intervenção para o paciente, com base nas evidências disponíveis. Entretanto, há evidências de que a adesão medicamentosa, as mudanças de hábitos de vida e a satisfação com o tratamento são maiores quando a decisão é tomada de forma compartilhada. Leia o caso a seguir e responda a questão. Amanda, 18 anos, vem à consulta na Unidade Básica de Saúde para pegar um pedido de endoscopia. Conta que a prima da idade dela teve câncer de estômago e agora ela está com medo. Relata que sente um inchaço na região do estômago às vezes. Acha que só vai se tranquilizar se fizer uma endoscopia. Assinale a alternativa mais adequada para a conduta do médico:
Decisão compartilhada: Médico explica riscos/benefícios de exames, paciente expressa valores, juntos decidem, respeitando autonomia.
A tomada de decisão compartilhada envolve o médico apresentando as evidências sobre riscos e benefícios de uma intervenção, e o paciente expressando suas preferências e valores. Juntos, chegam a uma decisão que respeita a autonomia do paciente e promove maior adesão ao plano de cuidado.
A tomada de decisão compartilhada (TDC) representa um pilar fundamental da medicina moderna, promovendo uma prática mais humanizada e centrada no paciente. Diferente do modelo paternalista, onde o médico decide unilateralmente, a TDC envolve um diálogo aberto e colaborativo, onde as evidências científicas são apresentadas e os valores e preferências do paciente são ativamente considerados. Este processo é crucial para garantir que as escolhas de tratamento e investigação diagnóstica estejam alinhadas com as expectativas e o contexto de vida do indivíduo. No cenário clínico, a TDC é particularmente relevante em situações onde há incerteza diagnóstica, múltiplas opções de tratamento ou quando o paciente expressa ansiedade e solicitações específicas, como no caso da endoscopia. O médico tem o papel de educar o paciente sobre os possíveis riscos (como complicações do procedimento, custos, ansiedade gerada pelo exame) e benefícios (como o potencial de diagnóstico precoce, tranquilidade) de cada opção, sem induzir a uma escolha. A comunicação eficaz é a chave para que o paciente se sinta empoderado e participe ativamente de sua jornada de saúde. Para residentes, dominar a TDC é uma habilidade essencial. Ela não apenas melhora a adesão do paciente ao plano terapêutico e sua satisfação com o cuidado, mas também contribui para a redução de exames e procedimentos desnecessários, otimizando recursos e minimizando iatrogenias. A prática da TDC exige empatia, escuta ativa e a capacidade de traduzir informações médicas complexas em linguagem acessível, construindo uma relação de confiança e respeito mútuo.
É um processo colaborativo onde médico e paciente trabalham juntos para escolher o melhor curso de ação, baseando-se nas evidências científicas disponíveis, nas preferências e valores do paciente.
Os benefícios incluem maior adesão ao tratamento, melhor satisfação do paciente, redução da ansiedade, decisões mais alinhadas com os valores do paciente e uso mais racional dos recursos de saúde.
O médico deve acolher a preocupação do paciente, explicar de forma clara e compreensível os riscos e benefícios do exame solicitado, apresentar alternativas (se houver) e, em conjunto, decidir o melhor caminho, respeitando a autonomia do paciente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo