Tomada de Decisão Compartilhada: Guia para Médicos e Pacientes

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020

Enunciado

A prática médica é realizada, na maior parte das vezes, de forma vertical, em que o médico decide a melhor opção de tratamento ou intervenção para o paciente, com base nas evidências disponíveis. Entretanto, há evidências de que a adesão medicamentosa, as mudanças de hábitos de vida e a satisfação com o tratamento são maiores quando a decisão é tomada de forma compartilhada. Leia o caso a seguir e responda a questão. Amanda, 18 anos, vem à consulta na Unidade Básica de Saúde para pegar um pedido de endoscopia. Conta que a prima da idade dela teve câncer de estômago e agora ela está com medo. Relata que sente um inchaço na região do estômago às vezes. Acha que só vai se tranquilizar se fizer uma endoscopia. Assinale a alternativa mais adequada para a conduta do médico:

Alternativas

  1. A) Solicitar a endoscopia, respeitando o sofrimento da paciente;
  2. B) Receitar omeprazol para alívio do desconforto epigástrico e não solicitar a endoscopia;
  3. C) Explicar os possíveis riscos associados à realização da endoscopia e comparar com o possível benefício de se encontrar um câncer de estômago;
  4. D) Explicar que a decisão de solicitar o exame é do médico e não solicitar a endoscopia.

Pérola Clínica

Decisão compartilhada: Médico explica riscos/benefícios de exames, paciente expressa valores, juntos decidem, respeitando autonomia.

Resumo-Chave

A tomada de decisão compartilhada envolve o médico apresentando as evidências sobre riscos e benefícios de uma intervenção, e o paciente expressando suas preferências e valores. Juntos, chegam a uma decisão que respeita a autonomia do paciente e promove maior adesão ao plano de cuidado.

Contexto Educacional

A tomada de decisão compartilhada (TDC) representa um pilar fundamental da medicina moderna, promovendo uma prática mais humanizada e centrada no paciente. Diferente do modelo paternalista, onde o médico decide unilateralmente, a TDC envolve um diálogo aberto e colaborativo, onde as evidências científicas são apresentadas e os valores e preferências do paciente são ativamente considerados. Este processo é crucial para garantir que as escolhas de tratamento e investigação diagnóstica estejam alinhadas com as expectativas e o contexto de vida do indivíduo. No cenário clínico, a TDC é particularmente relevante em situações onde há incerteza diagnóstica, múltiplas opções de tratamento ou quando o paciente expressa ansiedade e solicitações específicas, como no caso da endoscopia. O médico tem o papel de educar o paciente sobre os possíveis riscos (como complicações do procedimento, custos, ansiedade gerada pelo exame) e benefícios (como o potencial de diagnóstico precoce, tranquilidade) de cada opção, sem induzir a uma escolha. A comunicação eficaz é a chave para que o paciente se sinta empoderado e participe ativamente de sua jornada de saúde. Para residentes, dominar a TDC é uma habilidade essencial. Ela não apenas melhora a adesão do paciente ao plano terapêutico e sua satisfação com o cuidado, mas também contribui para a redução de exames e procedimentos desnecessários, otimizando recursos e minimizando iatrogenias. A prática da TDC exige empatia, escuta ativa e a capacidade de traduzir informações médicas complexas em linguagem acessível, construindo uma relação de confiança e respeito mútuo.

Perguntas Frequentes

O que é a tomada de decisão compartilhada?

É um processo colaborativo onde médico e paciente trabalham juntos para escolher o melhor curso de ação, baseando-se nas evidências científicas disponíveis, nas preferências e valores do paciente.

Quais os benefícios da tomada de decisão compartilhada?

Os benefícios incluem maior adesão ao tratamento, melhor satisfação do paciente, redução da ansiedade, decisões mais alinhadas com os valores do paciente e uso mais racional dos recursos de saúde.

Como o médico deve abordar a solicitação de um exame desnecessário pelo paciente?

O médico deve acolher a preocupação do paciente, explicar de forma clara e compreensível os riscos e benefícios do exame solicitado, apresentar alternativas (se houver) e, em conjunto, decidir o melhor caminho, respeitando a autonomia do paciente.

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