HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022
J.M.F., sexo masculino, 46 anos vem a consulta referindo insônia há 1 semana. Relata ter antecedente de TAG (ansiedade generalizada) e está em uso de clonazepam há cerca de 3 anos. Refere ter feito uso de 2 antidepressivos sucessivamente, o primeiro sertralina até 150 mg sem sucesso e segundo venlafaxina até 225mg por dia com melhora importante. Também tomava clonazepam 0,5mg em associação; o médico optou por descontinuar a venlafaxina já que estava melhor, entretanto paciente achou mais prudente pedir ao médico que deixasse o clonazepam 0,5mg à noite. Com o tempo percebeu que não conseguia dormir sem o medicamento e foi aumentando em doses até alcançar a atual de 4 mg por noite. Como seu médico não quis mais prescrever, passou a obter receitas em pronto-socorros. Há 1 semana interrompeu abruptamente o clonazepam, evoluindo irritado, retorno dos sintomas ansiosos de 3 anos atrás, taquicardia, sudorese e piora da insônia ("não pregava mais os olhos"). Assinale os fenômenos farmacológicos referidos nesse caso:
Uso crônico de benzodiazepínicos → tolerância + descontinuação abrupta → síndrome de abstinência.
O uso prolongado de benzodiazepínicos leva à tolerância, exigindo doses crescentes para o mesmo efeito. A interrupção abrupta, especialmente após uso crônico e em altas doses, desencadeia uma síndrome de abstinência com sintomas intensos e rebote da condição original.
O uso prolongado de benzodiazepínicos, como o clonazepam, é frequentemente associado ao desenvolvimento de tolerância e dependência. A tolerância farmacológica ocorre quando o organismo se adapta à presença contínua da droga, exigindo doses cada vez maiores para produzir o efeito terapêutico desejado. Isso é evidenciado no caso pelo paciente que, inicialmente usando 0,5mg, aumentou a dose para 4mg para conseguir dormir. A dependência física se manifesta quando a interrupção abrupta do medicamento desencadeia uma síndrome de abstinência. Esta síndrome é caracterizada por uma constelação de sintomas que podem incluir o retorno intensificado dos sintomas originais (insônia rebote, ansiedade), além de manifestações autonômicas (taquicardia, sudorese), neurológicas (tremores, convulsões) e psiquiátricas (irritabilidade, psicose). O paciente do caso apresentou irritabilidade, retorno dos sintomas ansiosos, taquicardia, sudorese e piora da insônia após interromper abruptamente o clonazepam, configurando um quadro clássico de abstinência. Para residentes, é crucial compreender os riscos do uso crônico de benzodiazepínicos e a importância de uma descontinuação gradual e supervisionada. A educação do paciente sobre esses riscos e a busca por alternativas não farmacológicas ou outros tratamentos para ansiedade e insônia são fundamentais para uma prática clínica segura e eficaz.
Tolerância é a necessidade de doses progressivamente maiores de um benzodiazepínico para obter o mesmo efeito terapêutico, devido a adaptações neuroquímicas no cérebro com o uso contínuo.
Os sintomas incluem ansiedade intensa, insônia, irritabilidade, taquicardia, sudorese, tremores, convulsões e, em casos graves, psicose, podendo ser potencialmente fatais.
A descontinuação deve ser gradual e lenta, com redução progressiva da dose ao longo de semanas ou meses, para minimizar os sintomas de abstinência e o risco de rebote.
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