Tocolíticos na Gestação: Escolha em Cardiopatias Maternas

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente com 32 anos, secundigesta com parto normal anterior pré-termo, atualmente com 33 semanas de gestação. Antecedente pessoal: estenose mitral leve por febre reumática. procura pronto atendimento com dor em hipogástrio tipo cólica. Nega perdas vaginais. Ao exame físico direcionado apresenta-se em bom estado geral, PA 120 x 80 mmHg, FC: 90 bpm, ausculta pulmonar sem alterações, abdômen gravídico, Giordano negativo, dinâmica uterina com 2 contrações moderadas a cada 10 minutos, exame especular sem alterações, toque vaginal colo médio, medianizado, pérvio para 2 cm. Exames de vitalidade fetal preservados. Qual a medicação mais adequada para inibição de trabalho de parto? Opção é a preferencial para esse caso?

Alternativas

  1. A) Atosiban.
  2. B) Sulfato de magnésio.
  3. C) Terbutalina.
  4. D) Expansão volêmica.
  5. E) Diclofenaco.

Pérola Clínica

Estenose mitral em gestante com trabalho de parto prematuro → Atosiban é o tocolítico preferencial.

Resumo-Chave

Em gestantes com cardiopatias, como a estenose mitral, tocolíticos beta-agonistas (ex: terbutalina) são contraindicados devido ao risco de descompensação cardíaca. O atosiban, um antagonista dos receptores de ocitocina, é a opção mais segura e preferencial nesses casos.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A tocolise, ou inibição do trabalho de parto, visa prolongar a gestação para permitir a administração de corticoesteroides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, o transporte da gestante para um centro de referência. A escolha do tocolítico deve considerar as condições maternas e fetais, bem como os potenciais efeitos adversos. Em gestantes com cardiopatias, como a estenose mitral, a escolha do tocolítico é particularmente desafiadora devido ao risco de descompensação cardíaca. Beta-agonistas (ex: terbutalina, ritodrina) são potentes tocolíticos, mas seus efeitos cardiovasculares (taquicardia, hipotensão, edema pulmonar) os tornam contraindicados nesses casos. O sulfato de magnésio, embora seja um tocolítico e neuroprotetor, também pode ter efeitos cardiovasculares e respiratórios que exigem cautela. O atosiban, um antagonista competitivo dos receptores de ocitocina, é a opção preferencial para tocolise em gestantes com cardiopatias. Ele age inibindo as contrações uterinas com um perfil de segurança cardiovascular mais favorável para a mãe. É crucial uma avaliação cardiológica rigorosa e monitoramento contínuo da gestante durante a tocolise, especialmente em pacientes com condições preexistentes.

Perguntas Frequentes

Quais tocolíticos são contraindicados em gestantes com cardiopatias como a estenose mitral?

Beta-agonistas, como a terbutalina, são contraindicados devido ao risco de taquicardia, hipotensão e sobrecarga cardíaca, que podem levar à descompensação materna e edema pulmonar.

Por que o atosiban é a medicação preferencial para inibição do trabalho de parto em gestantes cardiopatas?

O atosiban, um antagonista dos receptores de ocitocina, tem menos efeitos cardiovasculares maternos e fetais em comparação com outros tocolíticos, tornando-o mais seguro para pacientes com cardiopatias preexistentes.

Quais são as principais indicações e contraindicações gerais para a tocolise?

A tocolise é indicada para prolongar a gestação em casos de trabalho de parto prematuro, mas é contraindicada em situações como corioamnionite, descolamento prematuro de placenta, sofrimento fetal e malformações fetais incompatíveis com a vida.

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