Trabalho de Parto Prematuro: Quando Usar Uterolíticos?

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015

Enunciado

Em relação ao trabalho de parto prematuro, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A cerclagem profilática mostra bons resultados, a ponto de ser recomendada para o tratamento da prematuridade.
  2. B) O corticoide deverá ser prescrito para pacientes com idade gestacional abaixo de 37 semanas.
  3. C) Os uterolíticos devem ser prescritos apenas diante de boa vitalidade fetal.
  4. D) Os bloqueadores do canal de cálcio serão utilizados apenas na associação com pré- eclâmpsia.
  5. E) A associação com amniorrexe possui frequência relativamente alta, sendo uma importante indicação de tocólise.

Pérola Clínica

Tocólise em trabalho de parto prematuro: Indicada apenas com boa vitalidade fetal; contraindicada em sofrimento fetal.

Resumo-Chave

A tocólise, que visa inibir as contrações uterinas no trabalho de parto prematuro, só deve ser utilizada se houver boa vitalidade fetal. Em casos de sofrimento fetal, a interrupção da gestação é prioritária, e a tocólise seria contraproducente.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro é definido como o início das contrações uterinas regulares com modificações cervicais antes de 37 semanas de gestação. É a principal causa de morbimortalidade neonatal e um desafio significativo na obstetrícia. O manejo visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal, especialmente pulmonar, e possibilitar a transferência para um centro com recursos neonatais adequados. A tocólise, o uso de medicamentos uterolíticos para inibir as contrações, é uma das estratégias de manejo. No entanto, sua indicação é criteriosa. É fundamental que a vitalidade fetal seja boa antes de iniciar a tocólise, pois em casos de sofrimento fetal, a prioridade é a interrupção da gestação para salvar o feto. A tocólise seria deletéria ao atrasar essa intervenção. Outras intervenções importantes incluem a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal (entre 24 e 34 semanas), e a profilaxia para estreptococo do grupo B. A cerclagem profilática é para incompetência istmocervical, não para trabalho de parto prematuro estabelecido. Bloqueadores do canal de cálcio (como nifedipino) são uma classe de uterolíticos, não sendo seu uso restrito à pré-eclâmpsia. A amniorrexe prematura é uma causa de trabalho de parto prematuro, mas a tocólise é geralmente contraindicada devido ao risco de infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para o uso de corticosteroides no trabalho de parto prematuro?

Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são indicados para gestantes com risco de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de idade gestacional, visando acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório.

Em que situações a tocólise é contraindicada no trabalho de parto prematuro?

A tocólise é contraindicada em casos de sofrimento fetal, corioamnionite, descolamento prematuro de placenta, pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia, hemorragia materna grave, malformação fetal incompatível com a vida e idade gestacional avançada (>34 semanas).

Qual o papel da cerclagem uterina na prevenção do trabalho de parto prematuro?

A cerclagem uterina é um procedimento profilático para mulheres com incompetência istmocervical ou história de perdas gestacionais tardias, não sendo um tratamento para o trabalho de parto prematuro já estabelecido. Ela visa fortalecer o colo do útero para prevenir a dilatação precoce.

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