UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015
Em relação ao trabalho de parto prematuro, pode-se afirmar que:
Tocólise em trabalho de parto prematuro: Indicada apenas com boa vitalidade fetal; contraindicada em sofrimento fetal.
A tocólise, que visa inibir as contrações uterinas no trabalho de parto prematuro, só deve ser utilizada se houver boa vitalidade fetal. Em casos de sofrimento fetal, a interrupção da gestação é prioritária, e a tocólise seria contraproducente.
O trabalho de parto prematuro é definido como o início das contrações uterinas regulares com modificações cervicais antes de 37 semanas de gestação. É a principal causa de morbimortalidade neonatal e um desafio significativo na obstetrícia. O manejo visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal, especialmente pulmonar, e possibilitar a transferência para um centro com recursos neonatais adequados. A tocólise, o uso de medicamentos uterolíticos para inibir as contrações, é uma das estratégias de manejo. No entanto, sua indicação é criteriosa. É fundamental que a vitalidade fetal seja boa antes de iniciar a tocólise, pois em casos de sofrimento fetal, a prioridade é a interrupção da gestação para salvar o feto. A tocólise seria deletéria ao atrasar essa intervenção. Outras intervenções importantes incluem a administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal (entre 24 e 34 semanas), e a profilaxia para estreptococo do grupo B. A cerclagem profilática é para incompetência istmocervical, não para trabalho de parto prematuro estabelecido. Bloqueadores do canal de cálcio (como nifedipino) são uma classe de uterolíticos, não sendo seu uso restrito à pré-eclâmpsia. A amniorrexe prematura é uma causa de trabalho de parto prematuro, mas a tocólise é geralmente contraindicada devido ao risco de infecção.
Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são indicados para gestantes com risco de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de idade gestacional, visando acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório.
A tocólise é contraindicada em casos de sofrimento fetal, corioamnionite, descolamento prematuro de placenta, pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia, hemorragia materna grave, malformação fetal incompatível com a vida e idade gestacional avançada (>34 semanas).
A cerclagem uterina é um procedimento profilático para mulheres com incompetência istmocervical ou história de perdas gestacionais tardias, não sendo um tratamento para o trabalho de parto prematuro já estabelecido. Ela visa fortalecer o colo do útero para prevenir a dilatação precoce.
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