PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Paciente com 33 semanas de gestação chega na UPA com queixa de dor em baixo ventre e perda de líquido via vaginal há 6 horas. Ao exame físico, apresenta Dinâmica uterina = 30" 20" 20", BCF = 140bpm com boa movimentação, Colo longo grosso com 2cm de dilatação, líquido claro sem grupos ao exame especular. Seu colega relata que irá fazer tocólise na paciente para ganhar tempo e fazer corticoide para maturação pulmonar fetal. Você discorda do seu colega. Assinale a alternativa que justifica a discordância da conduta indicada pelo seu colega.
RPMO é contraindicação para tocólise, mesmo em trabalho de parto prematuro, devido ao risco de infecção.
Em casos de ruptura prematura de membranas ovulares (RPMO), a tocólise é geralmente contraindicada, mesmo que a paciente esteja em trabalho de parto prematuro. O prolongamento da gestação com membranas rotas aumenta o risco de infecção materna (corioamnionite) e fetal, superando os benefícios potenciais da tocólise.
O trabalho de parto prematuro é definido como o início das contrações uterinas regulares que resultam em modificações cervicais (dilatação e apagamento) antes de 37 semanas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade neonatal. A tocólise, que consiste na administração de medicamentos para inibir as contrações uterinas e prolongar a gestação, é uma estratégia utilizada para ganhar tempo para a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, para a transferência da gestante para um centro de referência. No entanto, a tocólise possui contraindicações importantes. Uma das mais relevantes é a ruptura prematura de membranas ovulares (RPMO), que é a perda de líquido amniótico antes do início do trabalho de parto. A presença de RPMO, como no caso da questão, aumenta significativamente o risco de infecção intra-amniótica (corioamnionite) e sepse neonatal. Prolongar a gestação com membranas rompidas através da tocólise pode exacerbar esse risco, mascarar sinais de infecção e levar a desfechos adversos para mãe e feto. Portanto, a tocólise é geralmente evitada em casos de RPMO. Apesar da contraindicação da tocólise, a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal (entre 24 e 34 semanas e 6 dias) e a profilaxia antibiótica para GBS (se indicada) continuam sendo condutas essenciais em gestantes com RPMO e trabalho de parto prematuro, visando reduzir a morbidade neonatal. O manejo deve ser individualizado, considerando o balanço entre os riscos e benefícios de cada intervenção.
As principais contraindicações da tocólise incluem: idade gestacional avançada (>34 semanas), RPMO, corioamnionite, restrição de crescimento intrauterino grave, anomalias fetais incompatíveis com a vida, sangramento vaginal ativo, pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta e óbito fetal.
A tocólise é contraindicada na RPMO porque o prolongamento da gestação com membranas rotas aumenta significativamente o risco de infecção intra-amniótica (corioamnionite) e sepse neonatal, superando os potenciais benefícios de postergar o parto.
Os corticoides (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal são indicados para gestantes com risco de parto prematuro entre 24 semanas e 34 semanas e 6 dias de gestação. Em algumas situações específicas, podem ser considerados até 36 semanas e 6 dias.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo