HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2022
Mulher, 86 anos, chega ao seu consultório de Clínica Geral com queixa de queda de cabelo e perda de peso. Há 5 meses, antes de realizar um cateterismo cardíaco, apresentou palpitação sendo medicada com amiodarona 200 mg/dia com normalização do quadro. Exames atuais mostram TSH 0,01 mUI/L (VR 0,4 a 4,0) e T4 livre 2,2 ng/dL (VR 0,8 a 1,9), US de tireoide com doppler mostrou ausência de vascularização e cintilografia de tireoide mostrou captação 0%. Quanto ao diagnóstico e à condução do caso, assinale a alternativa CORRETA:
Tireotoxicose por amiodarona (TAI) com ↓ vascularização e captação → TAI tipo 2 (tireoidite destrutiva), tratar com corticosteroide oral.
A tireotoxicose induzida por amiodarona (TAI) pode ser de dois tipos: Tipo 1 (produção excessiva de hormônio) ou Tipo 2 (tireoidite destrutiva). A ausência de vascularização e captação na cintilografia sugere o Tipo 2, que responde bem ao tratamento com corticosteroides, diferentemente do Tipo 1 que requer drogas antitireoidianas.
A amiodarona é um antiarrítmico amplamente utilizado, mas seu alto teor de iodo e seus efeitos diretos na tireoide podem causar disfunções tireoidianas, incluindo a tireotoxicose induzida por amiodarona (TAI). A TAI é um desafio diagnóstico e terapêutico, exigindo uma abordagem cuidadosa para diferenciar seus dois principais tipos. A TAI Tipo 1 ocorre em pacientes com doença tireoidiana subjacente (como bócio multinodular ou doença de Graves latente) e é caracterizada por um aumento da síntese e liberação de hormônios tireoidianos devido ao excesso de iodo. A TAI Tipo 2, por outro lado, é uma tireoidite destrutiva que ocorre em tireoides previamente normais, resultando na liberação de hormônios pré-formados. O caso clínico, com TSH suprimido, T4 livre elevado, ausência de vascularização no US e captação 0% na cintilografia, é clássico de TAI Tipo 2. O manejo da TAI depende do seu tipo. Para TAI Tipo 1, drogas antitireoidianas (como metimazol ou propiltiouracil) são a primeira linha. Para TAI Tipo 2, como no caso apresentado, os corticosteroides orais (ex: prednisona) são o tratamento de escolha, pois atuam na inflamação e na liberação de hormônios. A suspensão da amiodarona é ideal, mas nem sempre possível devido à condição cardíaca do paciente. Residentes devem estar aptos a reconhecer os padrões diagnósticos e aplicar o tratamento correto para evitar complicações.
Os dois principais tipos são a TAI Tipo 1, que ocorre em tireoides previamente anormais e envolve aumento da síntese hormonal, e a TAI Tipo 2, que ocorre em tireoides normais e é uma tireoidite destrutiva com liberação de hormônios pré-formados.
Na TAI Tipo 1, a cintilografia geralmente mostra captação aumentada ou normal, e o Doppler pode mostrar hipervascularização. Na TAI Tipo 2, como no caso descrito, a cintilografia mostra captação muito baixa ou ausente, e o Doppler mostra ausência ou redução da vascularização, indicando tireoidite destrutiva.
O tratamento de escolha para a TAI Tipo 2 são os corticosteroides orais, como a prednisona, devido à sua natureza inflamatória e destrutiva. Drogas antitireoidianas são menos eficazes neste tipo.
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