UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Mulher de 65 anos, com perda progressiva de peso nos últimos dois meses e fadiga. Está em uso de amiodarona há dez meses para tratamento de fibrilação atrial, que está controlada. Traz exames: TSH: 0,02mUI/L (VR: 0,5-5) T4 livre: 3,8ng/dL (VR: 0,7-1,8) T3: 3,8ng/dL (VR: 40-180) TRAb anticorpos antiperoxidase e antitireoglobulina: negativos Cintilografia de tireoide: captação de 17% em 24 horas (VR: 15-30%) Ultrassom de tireoide: glândula com volume diminuído e distribuição escassa de vascularização no seu interior. O diagnóstico mais provável dessa paciente é:
Amiodarona + Tireotoxicose + TRAb neg + USG ↓ vascularização → TIA Tipo II (tireoidite destrutiva).
A paciente apresenta tireotoxicose (TSH baixo, T4 livre alto) em uso de amiodarona. Com TRAb negativo, captação de iodo normal/baixa na cintilografia e ultrassom mostrando glândula diminuída com vascularização escassa, o quadro é compatível com Tireotoxicose Induzida por Amiodarona (TIA) Tipo II, que é uma tireoidite destrutiva.
A amiodarona é um antiarrítmico amplamente utilizado, mas seu alto teor de iodo e seus efeitos diretos na tireoide podem levar a disfunções tireoidianas, incluindo a Tireotoxicose Induzida por Amiodarona (TIA). A TIA é classificada em dois tipos principais, com fisiopatologias e abordagens terapêuticas distintas. A TIA Tipo I é um hipertireoidismo verdadeiro, causado pelo aumento da síntese hormonal em uma glândula tireoide previamente alterada (ex: bócio multinodular). Já a TIA Tipo II, como no caso da paciente, é uma tireoidite destrutiva, onde a amiodarona causa dano aos tireócitos, liberando hormônios pré-formados. Clinicamente, ambas se apresentam com tireotoxicose, mas a diferenciação é crucial. O diagnóstico diferencial entre TIA Tipo I e Tipo II é fundamental para o tratamento. A TIA Tipo I responde a tionamidas e, por vezes, iodo radioativo ou cirurgia, enquanto a TIA Tipo II é tratada principalmente com glicocorticoides. Residentes devem estar atentos a essa complicação da amiodarona e saber como diferenciá-las para um manejo adequado.
A amiodarona pode afetar a tireoide de duas formas principais: causando hipertireoidismo (TIA Tipo I ou II) ou hipotireoidismo, devido ao seu alto teor de iodo e efeitos diretos na glândula, como inibição da 5'-deiodinase.
A TIA Tipo II é uma tireoidite destrutiva, caracterizada por liberação de hormônios pré-formados, TRAb negativo, captação de iodo reduzida na cintilografia e ultrassom com glândula hipovascularizada e, por vezes, diminuída de volume.
O tratamento da TIA Tipo II geralmente envolve glicocorticoides (ex: prednisona) para reduzir a inflamação e a liberação de hormônios, além de beta-bloqueadores para controle sintomático, e a amiodarona pode ser mantida se essencial.
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