MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma mulher de 42 anos procura atendimento ambulatorial com queixas de palpitações, insônia, irritabilidade e perda ponderal de 6 kg nos últimos dois meses, apesar de manter o apetite preservado. Relata que, para auxiliar na perda de peso, iniciou o uso de uma "fórmula natural manipulada" adquirida em um site de suplementos há cerca de 10 semanas. Ao exame físico, a paciente apresenta-se ansiosa, com tremores finos de extremidades, pele quente e úmida, e frequência cardíaca de 108 batimentos por minuto. A tireoide apresenta-se aumentada de forma difusa, com cerca de duas vezes o volume normal, de consistência elástica e indolor à palpação, sem sopros ou frêmitos à ausculta local. Não há evidência de proptose, edema periorbitário ou sinais de dermopatia infiltrativa. Os exames laboratoriais iniciais revelam TSH indetectável (menor que 0,005 mIU/L, valor de referência: 0,45 a 4,5 mIU/L) e T4 livre elevado (2,8 ng/dL, valor de referência: 0,9 a 1,7 ng/dL). Para diferenciar se a etiologia da tireotoxicose é decorrente de uma produção endógena aumentada (como na Doença de Graves) ou da ingestão de hormônio tireoidiano contido no composto manipulado, o exame mais indicado é a:
Tireotoxicose + Bócio indolor + RAIU baixo → Tireoidite ou Ingestão Exógena.
A captação de iodo radioativo (RAIU) diferencia causas de hiperfunção glandular (RAIU alto, ex: Graves) de causas onde não há produção endógena aumentada (RAIU baixo, ex: tireotoxicose factícia ou tireoidite).
A investigação da tireotoxicose exige a distinção entre o excesso de produção hormonal pela glândula (hipertireoidismo verdadeiro) e a liberação de hormônio pré-formado ou ingestão exógena. O RAIU de 24 horas é fundamental: valores elevados sugerem Doença de Graves ou bócio multinodular tóxico, enquanto valores baixos apontam para tireoidites ou uso de medicações/suplementos contendo T4 ou T3. No caso clínico, o uso de fórmulas manipuladas reforça a hipótese de tireotoxicose factícia.
O RAIU (Radioactive Iodine Uptake) é um teste quantitativo que mede a porcentagem de iodo captado pela glândula em 2, 6 ou 24 horas, refletindo a atividade metabólica de síntese hormonal. A cintilografia é um exame de imagem que mostra a distribuição do radiofármaco, sendo útil para identificar nódulos 'quentes' ou 'frios' e o padrão de captação (difuso ou heterogêneo).
A tireoglobulina (TG) é produzida exclusivamente pela glândula tireoide. Na tireotoxicose factícia (ingestão de hormônio), a glândula está suprimida pelo feedback negativo, resultando em níveis de TG muito baixos ou indetectáveis. Já na Doença de Graves ou tireoidites, a TG costuma estar elevada devido à hiperatividade ou destruição folicular.
As principais causas são a tireotoxicose factícia (ingestão de levotiroxina), tireoidites subagudas (fase de liberação por destruição folicular), tireoidite indolor (linfocítica), exposição excessiva ao iodo (fenômeno de Jod-Basedow) e estruma ovariano (produção ectópica).
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