Tireoidite Subaguda: Diagnóstico e Manejo da Tireotoxicose

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem, 27a, procura atendimento médico por palpitações, sudorese, tremores de extremidades, ansiedade e cefaleia. Refere dor no pescoço, falta de ar, febre e dor pelo corpo há 5 dias. Perdeu 3 quilos desde o início do quadro. Exame físico: FC= 112 bpm, FR= 20 irpm, PA= 150X75 mmHg, T= 37,8°C; Pescoço: dor intensa a palpação da região antero-inferior. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Imunoglobulina endovenosa.
  2. B) Vitamina B1, captopril e digitálicos.
  3. C) Propiltiouracil ou metimazol.
  4. D) Prednisona e beta bloqueador.

Pérola Clínica

Tireoidite subaguda (De Quervain): tireotoxicose + dor cervical + febre → Prednisona (inflamação) + Beta-bloqueador (sintomas tireotóxicos).

Resumo-Chave

O quadro de tireotoxicose (palpitações, sudorese, tremores, perda de peso) associado a dor intensa na região cervical anterior, febre e sintomas virais recentes é altamente sugestivo de tireoidite subaguda (De Quervain). O tratamento visa controlar os sintomas da tireotoxicose com beta-bloqueadores e reduzir a inflamação e a dor com corticoides (prednisona) ou AINEs.

Contexto Educacional

A tireoidite subaguda, também conhecida como tireoidite de De Quervain ou tireoidite granulomatosa, é uma condição inflamatória autolimitada da glândula tireoide, geralmente precedida por uma infecção viral de vias aéreas superiores. É mais comum em mulheres de meia-idade. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória que leva à destruição dos folículos tireoidianos, resultando na liberação de hormônios tireoidianos pré-formados para a circulação, causando uma fase transitória de tireotoxicose. O quadro clínico é caracterizado por dor intensa e sensibilidade na região cervical anterior, que pode ser unilateral ou bilateral e irradiar. Febre, mal-estar e sintomas de tireotoxicose (palpitações, sudorese, tremores, ansiedade, perda de peso) são comuns. Posteriormente, a glândula pode passar por uma fase de hipotireoidismo transitório antes de retornar à função normal. O diagnóstico é clínico, apoiado por exames laboratoriais que mostram tireotoxicose com TSH suprimido e captação de iodo radioativo reduzida, além de elevação de marcadores inflamatórios como VHS e PCR. O tratamento é sintomático. Para a dor e inflamação, AINEs são a primeira escolha. Em casos mais graves ou refratários, corticoides (como prednisona) são altamente eficazes. Para os sintomas de tireotoxicose, beta-bloqueadores (ex: propranolol) são utilizados. É crucial não usar antitireoidianos, pois a tireotoxicose não é devido à hiperprodução hormonal. A maioria dos pacientes se recupera completamente, embora alguns possam desenvolver hipotireoidismo permanente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da tireoidite subaguda (De Quervain)?

Os sintomas incluem dor intensa e sensibilidade na região anterior do pescoço, que pode irradiar para a mandíbula ou ouvidos, febre baixa, mal-estar e sintomas de tireotoxicose como palpitações, sudorese, tremores, ansiedade e perda de peso. Frequentemente, há um histórico de infecção viral recente.

Qual a conduta terapêutica para a tireoidite subaguda?

A conduta terapêutica visa aliviar a dor e a inflamação, e controlar os sintomas da tireotoxicose. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são a primeira linha para dor leve a moderada. Para dor mais intensa ou refratária, corticoides como a prednisona são eficazes. Beta-bloqueadores são usados para controlar os sintomas adrenérgicos da tireotoxicose, como palpitações e tremores.

Por que antitireoidianos não são indicados na tireoidite subaguda?

Antitireoidianos como propiltiouracil ou metimazol não são indicados na tireoidite subaguda porque a tireotoxicose nesta condição é causada pela liberação de hormônios tireoidianos pré-formados devido à destruição inflamatória dos folículos, e não por uma superprodução hormonal. Portanto, esses medicamentos, que inibem a síntese hormonal, não teriam efeito.

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