Tireoidite Subaguda: Diagnóstico e Tratamento com AINEs

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 22 anos de idade procura atendimento médico por dor em garganta, mialgia e febre há 2 semanas de caráter progressivo. Ao exame clínico, Pressão Arterial 146x88 mmHg, frequência cardíaca 110bpm, aumento tireoidiano com palpação dolorosa. Exames demonstraram TSH 0,1U/mL, T4 livre 2,5ng/dL, VHS 52mm/h. Hb 10,2 g/dL, 15.000 leucócitos. 220.000 plaquetas. Ultrassom demonstrou aumento do volume tireoidiano, sem nodulações e sem aumento de fluxo vascular. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual seria a medicação mais indicada para seu tratamento?

Alternativas

  1. A) Metimazol.
  2. B) Naproxeno.
  3. C) Propiltiouracil.
  4. D) Radioiodo ablação.
  5. E) Cefuroxima.

Pérola Clínica

Tireoidite subaguda → tireoide dolorosa, hipertireoidismo transitório, VHS ↑, ultrassom sem aumento de fluxo; tratamento = AINEs.

Resumo-Chave

A tireoidite subaguda (De Quervain) é caracterizada por dor na tireoide, sintomas de hipertireoidismo transitório (devido à liberação de hormônios pré-formados), elevação da VHS e, crucialmente, ausência de aumento do fluxo vascular na ultrassonografia da tireoide. O tratamento é primariamente sintomático, com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como o naproxeno sendo a primeira linha para controle da dor e inflamação.

Contexto Educacional

A tireoidite subaguda, também conhecida como tireoidite de De Quervain, é uma condição inflamatória da tireoide que geralmente segue uma infecção viral do trato respiratório superior. É mais comum em mulheres de meia-idade e se caracteriza por dor na região cervical anterior, que pode irradiar para a mandíbula ou ouvidos, acompanhada de febre, mialgia e sintomas de hipertireoidismo transitório. A compreensão dessa condição é vital para o diagnóstico diferencial de dor cervical e disfunção tireoidiana. O diagnóstico da tireoidite subaguda baseia-se na tríade clínica de dor tireoidiana, sintomas de hipertireoidismo e elevação acentuada da velocidade de hemossedimentação (VHS). Os exames laboratoriais mostram TSH suprimido e T4 livre elevado na fase inicial, seguidos por uma fase de hipotireoidismo e, eventualmente, recuperação da função tireoidiana. A ultrassonografia da tireoide tipicamente revela aumento difuso ou focal da glândula, com áreas hipoecoicas e, crucialmente, ausência de aumento do fluxo vascular ao Doppler, o que a diferencia da Doença de Graves. O tratamento da tireoidite subaguda é primariamente sintomático, visando aliviar a dor e a inflamação. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o naproxeno, são a primeira linha de tratamento. Em casos de dor intensa ou resposta inadequada aos AINEs, corticosteroides podem ser utilizados. Betabloqueadores podem ser indicados para controlar os sintomas de hipertireoidismo. A condição é autolimitada, com a maioria dos pacientes recuperando a função tireoidiana normal, embora uma pequena porcentagem possa desenvolver hipotireoidismo permanente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para tireoidite subaguda?

Os critérios incluem dor na tireoide, sintomas de hipertireoidismo (TSH baixo, T4 livre alto), VHS elevada e, na ultrassonografia, tireoide aumentada sem aumento do fluxo vascular.

Por que o naproxeno é a medicação mais indicada para tireoidite subaguda?

O naproxeno, um AINE, é indicado para controlar a dor e a inflamação associadas à tireoidite subaguda, pois a condição é inflamatória e autolimitada, e o hipertireoidismo é transitório por liberação hormonal.

Como diferenciar a tireoidite subaguda da Doença de Graves?

A tireoidite subaguda cursa com tireoide dolorosa, VHS elevada e ausência de aumento de fluxo vascular no ultrassom, enquanto a Doença de Graves geralmente não é dolorosa, tem VHS normal e apresenta hipervascularização na ultrassonografia.

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