Tireoidite Subaguda: Diagnóstico e Manejo Clínico

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminina de 35 anos chega ao pronto atendimento referindo dor de garganta irradiada para mandíbula, tremores nas mãos, palpitações, perda de 3Kg em 1 semana, hiperevacuação, insônia e agitação. Relata ter tido episódio de infecção viral 10 dias antes. Ao exame físico tem febrícula, pele quente e sudorética, aumento difuso da tireoide com dor intensa à palpação. Nos exames apresenta TSH <0,001 (0,3-4,5mUI/mL); T4 livre 2,9 (0,89-1,78mcg/dL); T3 280 (80-200mg/dL); velocidade de hemossedimentação elevada, leucograma normal e captação de iodo na cintilografia de 0,2%. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e qual é o tratamento mais adequado para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Tireoidite aguda e manejo sintomático com antiinflamatórios e antibiótico.
  2. B) Abscesso tireoidiano, manejo sintomático com antiinflamatórios, antibiótico e drenagem cirúrgica.
  3. C) Tireoidite subaguda, manejo sintomático com antiinflamatório e betabloqueador.
  4. D) Tireoidite autoimune, manejo sintomático com antiinflamatório, betabloqueador e droga antitireoidiana.

Pérola Clínica

Hipertireoidismo + tireoide dolorosa pós-infecção viral + VHS ↑ + captação de iodo ↓ → Tireoidite subaguda, tratar com AINEs e betabloqueador.

Resumo-Chave

A tireoidite subaguda (De Quervain) é uma condição inflamatória da tireoide, frequentemente pós-viral, que causa hipertireoidismo transitório e dor cervical intensa. O diagnóstico é confirmado pela baixa captação de iodo na cintilografia, apesar do hipertireoidismo. O tratamento é sintomático, com anti-inflamatórios para a dor e betabloqueadores para os sintomas de tireotoxicose.

Contexto Educacional

A tireoidite subaguda, também conhecida como tireoidite de De Quervain, é uma condição inflamatória da glândula tireoide, geralmente de etiologia viral, que se manifesta por dor cervical e disfunção tireoidiana transitória. É mais comum em mulheres de meia-idade e sua importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico diferencial preciso com outras causas de hipertireoidismo e dor cervical, evitando tratamentos inadequados e desnecessários. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória granulomatosa aos folículos tireoidianos, provavelmente desencadeada por uma infecção viral. Isso leva à destruição celular e liberação de hormônios tireoidianos pré-formados, causando uma fase de hipertireoidismo, seguida por uma fase de hipotireoidismo transitório e, finalmente, a recuperação da função tireoidiana. O diagnóstico é baseado na tríade clínica de dor na tireoide, sintomas de hipertireoidismo e história de infecção viral recente. Laboratorialmente, observa-se TSH suprimido, T4 e T3 elevados, VHS elevada e, crucialmente, baixa captação de iodo na cintilografia tireoidiana, que a diferencia da Doença de Graves. O tratamento da tireoidite subaguda é predominantemente sintomático. Para a dor e inflamação, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são a primeira escolha; em casos mais graves, corticosteroides podem ser necessários. Para os sintomas de hipertireoidismo, betabloqueadores são eficazes no controle de palpitações, tremores e taquicardia. Drogas antitireoidianas não são indicadas, pois o hipertireoidismo é de origem destrutiva e não por hiperfunção glandular. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa da função tireoidiana na maioria dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da tireoidite subaguda?

Os principais sinais e sintomas incluem dor na região cervical anterior, que pode irradiar para a mandíbula ou ouvidos, febre, mal-estar e sintomas de hipertireoidismo como palpitações, tremores, perda de peso e agitação. Frequentemente há história de infecção viral recente.

Como a captação de iodo na cintilografia ajuda a diferenciar a tireoidite subaguda de outras causas de hipertireoidismo?

Na tireoidite subaguda, a captação de iodo na cintilografia é tipicamente muito baixa ou ausente, apesar dos níveis elevados de hormônios tireoidianos. Isso ocorre porque o hipertireoidismo é causado pela liberação de hormônios pré-formados devido à destruição folicular, e não por uma hiperfunção da glândula, como na Doença de Graves, onde a captação estaria elevada.

Qual é o tratamento mais adequado para a tireoidite subaguda?

O tratamento é primariamente sintomático. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são a primeira linha para controlar a dor e a inflamação. Em casos de dor intensa ou resposta insuficiente aos AINEs, corticosteroides podem ser utilizados. Betabloqueadores são indicados para aliviar os sintomas de tireotoxicose, como palpitações e tremores.

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