HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023
Mulher de 27 anos queixa-se de dor na região cervical anterior e febre há 8 dias. Nega comorbidades conhecidas e não faz uso de medicamentos. Ao exame físico, PA: 140x86mmHg, FC: 118bpm, FR: 18ipm, SPO² 98% (aa), Tax: 37,9°C. Apresenta tireoide de volume aumentado, quente e dolorosa a palpação. Os exames respiratório, cardiovascular e abdominal não revelam outras anormalidades. O exame neurológico revela tremor postural e cinético das extremidades superiores e hiperreflexia difusa. Exames de laboratório: TSH 0,03mU/L (VR 0,4 a 4,5mU/L); T4L 2,7ng/dL (VR 0,7 a 1,8ng/dL); leucócitos 15.980/mm3 (VR 4.000 a 11.000/mm³); neutrófilos 11.540 (VR 1.500-7.600/mm³); VHS 84mm (VR > 20mm). Assinale a alternativa que apresenta a prescrição MAIS adequada para essa paciente
Tireoide dolorosa, febre, hipertireoidismo transitório e VHS/leucócitos altos = Tireoidite Subaguda. Tratar com AINEs e betabloqueador.
A tireoidite subaguda (De Quervain) é uma condição inflamatória da tireoide, geralmente pós-viral, caracterizada por dor cervical anterior, febre, sintomas de hipertireoidismo transitório e marcadores inflamatórios elevados (VHS, leucócitos). O tratamento é sintomático, com anti-inflamatórios não esteroidais para a dor e inflamação, e betabloqueadores para controlar os sintomas de tireotoxicose.
A tireoidite subaguda, também conhecida como tireoidite de De Quervain ou tireoidite granulomatosa, é uma condição inflamatória da glândula tireoide, geralmente de etiologia viral ou pós-viral. É mais comum em mulheres de meia-idade e se caracteriza por uma dor cervical anterior intensa e autolimitada. A compreensão de sua fisiopatologia e manejo é crucial para residentes, pois é uma causa comum de hipertireoidismo transitório que pode ser erroneamente tratada como Doença de Graves. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória granulomatosa aos folículos tireoidianos, resultando na destruição celular e liberação de hormônios tireoidianos pré-formados na circulação. Isso leva a uma fase inicial de tireotoxicose (com TSH baixo e T4/T3 elevados), seguida por uma fase de hipotireoidismo transitório (com TSH alto e T4/T3 baixos) à medida que os estoques hormonais se esgotam, e finalmente a uma recuperação da função tireoidiana normal. A VHS é um marcador inflamatório classicamente muito elevado nesta condição, o que a diferencia de outras causas de tireotoxicose. O diagnóstico é clínico, baseado na dor tireoidiana, febre e sintomas de hipertireoidismo, juntamente com achados laboratoriais de tireotoxicose e marcadores inflamatórios elevados. A captação de iodo radioativo é tipicamente baixa, o que ajuda a diferenciar da Doença de Graves. O tratamento é primariamente sintomático: anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são a base para o controle da dor e inflamação. Em casos mais graves, corticosteroides podem ser necessários. Betabloqueadores são utilizados para aliviar os sintomas adrenérgicos do hipertireoidismo, como taquicardia e tremor. É fundamental evitar o uso de drogas antitireoidianas, pois elas não são eficazes e podem prolongar a fase de hipotireoidismo.
Os sinais e sintomas incluem dor na região cervical anterior, que pode irradiar para a mandíbula ou ouvidos, febre, mal-estar, fadiga e sintomas de hipertireoidismo (palpitações, tremor, sudorese, perda de peso) na fase inicial. A tireoide é tipicamente aumentada, quente e muito dolorosa à palpação.
Os exames laboratoriais mostram TSH suprimido e T4L elevado na fase inicial de tireotoxicose. Marcadores inflamatórios como VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C reativa) estão significativamente elevados. Pode haver leucocitose com neutrofilia. A captação de iodo radioativo é tipicamente baixa, o que ajuda a diferenciar da Doença de Graves.
O tratamento mais adequado é sintomático. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são a primeira linha para controlar a dor e a inflamação. Em casos de dor intensa, corticosteroides podem ser usados. Betabloqueadores (como propranolol) são indicados para aliviar os sintomas de hipertireoidismo (taquicardia, tremor). Drogas antitireoidianas não são usadas, pois o hipertireoidismo é transitório e causado pela liberação de hormônios pré-formados, não por síntese excessiva.
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