Tireoidite Subaguda Pós-COVID: Diagnóstico e Manejo

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 32 anos de idade relata diagnóstico de SARS-CoV2 há 6 semanas com resolução dos sintomas respiratórios, porém, com persistência e piora progressiva de quadro de dor de garganta. Nega odinofagia, relata presença de diarreia e insônia na última semana. Ao exame clínico: Pressão Arterial 138x72 mmHg, frequência cardíaca 110 bpm, dor relatada reprodutível à palpação da tireoide que se encontra difusamente aumentada, sem nodulações. Realiza exames laboratoriais que revelam: TSH = 0,12 mUI/L; T4 livre = 2,5 ng/dL; VHS = 56 mm/h. Realizou cintilografia de tireoide com Tecnécio que revelou baixa captação homogênea. Qual o tratamento indicado?

Alternativas

  1. A) Naproxeno.
  2. B) Metimazol.
  3. C) Propiltiouracil.
  4. D) Levotiroxina.
  5. E) Amoxicilina.

Pérola Clínica

Dor tireoidiana + tireotoxicose + VHS ↑ + baixa captação na cintilografia pós-infecção viral → Tireoidite Subaguda = AINEs.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor na tireoide, tireotoxicose (TSH baixo, T4 livre alto), VHS elevado e baixa captação homogênea na cintilografia, após uma infecção viral (SARS-CoV2), é clássico da Tireoidite Subaguda (De Quervain), cujo tratamento inicial é com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).

Contexto Educacional

A tireoidite subaguda, também conhecida como tireoidite de De Quervain, é uma condição inflamatória da tireoide, geralmente desencadeada por uma infecção viral, como o SARS-CoV2. É caracterizada por dor na tireoide, que pode ser intensa, e um curso trifásico: uma fase inicial de tireotoxicose (devido à liberação de hormônios pré-formados), seguida por uma fase de hipotireoidismo transitório e, finalmente, recuperação da função tireoidiana. O diagnóstico é baseado na clínica (dor tireoidiana, sintomas de tireotoxicose), exames laboratoriais (TSH suprimido, T4 livre elevado, VHS e PCR elevados) e, crucialmente, na cintilografia de tireoide, que revela baixa captação de iodo ou tecnécio, diferenciando-a de outras causas de tireotoxicose como a Doença de Graves. O tratamento é primariamente sintomático. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como o naproxeno são a primeira linha para alívio da dor e inflamação. Em casos de dor intensa ou resposta inadequada aos AINEs, corticosteroides podem ser utilizados. Beta-bloqueadores podem ser indicados para controlar os sintomas de tireotoxicose. A maioria dos pacientes se recupera completamente, mas alguns podem desenvolver hipotireoidismo permanente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da tireoidite subaguda?

Os sintomas incluem dor na região da tireoide (que pode irradiar para mandíbula ou ouvidos), febre, mal-estar, e sintomas de tireotoxicose (palpitações, taquicardia, ansiedade, perda de peso) seguidos por hipotireoidismo.

Por que a cintilografia de tireoide mostra baixa captação na tireoidite subaguda?

Na tireoidite subaguda, há destruição inflamatória dos folículos tireoidianos, liberando hormônios pré-formados. A glândula não está produzindo ativamente novos hormônios, por isso a captação de iodo ou tecnécio está diminuída.

Qual o tratamento inicial para a tireoidite subaguda?

O tratamento inicial visa aliviar a inflamação e a dor, sendo os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como o naproxeno a primeira linha. Em casos mais graves, corticosteroides podem ser necessários. Beta-bloqueadores podem ser usados para sintomas de tireotoxicose.

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