Tireoidite de Quervain: Diagnóstico e Características Essenciais

ENARE/ENAMED — Prova 2021

Enunciado

Em relação às tireoidites, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A tireoidite de Hashimoto é a forma mais comum, acometendo mais mulheres, entre 3-40 anos, sendo o evento laboratorial mais comum a presença de anticorpos antitireoglobulina.
  2. B) A tireoidite pós-parto é um quadro raro que ocorre nos primeiros dias pós-parto, de curta duração, autolimitado, sem necessidade de tratamento específico.
  3. C) A tireoidite de Quervain é um quadro inflamatório e autoimune da tireoide, geralmente autolimitado, mais frequente em mulheres, presumivelmente causado por infecção viral ou pós-infecção viral.
  4. D) A tireoidite mais comum é de forma infecciosa, causada por bactérias grampositivas, comum em pacientes previamente hígidos e com bom prognóstico.
  5. E) A tireoidite induzida por radiação é um quadro de ocorrência exclusiva de pacientes com terapia actínica para controle de tireotoxicose prévia e se manifesta como coma mixedematoso por perda aguda da função tireoideana.

Pérola Clínica

Tireoidite de Quervain (subaguda) = inflamatória, pós-viral, autolimitada, mais em mulheres, com dor cervical.

Resumo-Chave

A tireoidite de Quervain, também conhecida como tireoidite subaguda granulomatosa, é uma condição inflamatória da tireoide que é frequentemente precedida por uma infecção viral. É caracterizada por dor na região cervical anterior, febre e sintomas de tireotoxicose transitória, seguida por hipotireoidismo e, geralmente, recuperação completa. É autolimitada e mais comum em mulheres, o que a torna a alternativa correta.

Contexto Educacional

As tireoidites representam um grupo heterogêneo de doenças inflamatórias da glândula tireoide, com diferentes etiologias, apresentações clínicas e cursos. O conhecimento detalhado das tireoidites é fundamental para residentes de endocrinologia, clínica médica e medicina de família, pois o diagnóstico diferencial e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações e garantir o bem-estar do paciente. A tireoidite de Quervain, também conhecida como tireoidite subaguda granulomatosa ou tireoidite viral, é uma condição inflamatória autolimitada, mais comum em mulheres de meia-idade. Sua fisiopatologia está ligada a uma resposta inflamatória pós-viral, resultando em destruição folicular e liberação de hormônios tireoidianos pré-formados, levando a uma fase de tireotoxicose, seguida por hipotireoidismo e, na maioria dos casos, recuperação da função tireoidiana. O diagnóstico é clínico, com exames laboratoriais mostrando tireotoxicose (T4/T3 elevados, TSH suprimido) e marcadores inflamatórios (VHS, PCR) elevados, além de captação de iodo radioativo baixa. O tratamento da tireoidite de Quervain é principalmente sintomático, visando aliviar a dor e a inflamação com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou corticosteroides em casos mais graves. Betabloqueadores podem ser usados para controlar os sintomas de tireotoxicose. A maioria dos pacientes se recupera completamente, mas um pequeno percentual pode desenvolver hipotireoidismo permanente. É importante diferenciar das outras tireoidites, como a de Hashimoto (autoimune, crônica, indolor) e a tireoidite pós-parto (autoimune, transitória, após o parto), para garantir o manejo correto.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da tireoidite de Quervain?

A tireoidite de Quervain é caracterizada por dor cervical anterior, que pode irradiar para a mandíbula ou ouvidos, febre, mal-estar e sintomas de tireotoxicose transitória (palpitações, nervosismo), seguida por uma fase de hipotireoidismo e recuperação.

Qual a etiologia mais provável da tireoidite de Quervain?

A etiologia da tireoidite de Quervain é presumivelmente viral, sendo frequentemente precedida por infecções do trato respiratório superior. Vírus como coxsackie, adenovírus, influenza e caxumba têm sido implicados.

Como diferenciar a tireoidite de Quervain da tireoidite de Hashimoto?

A tireoidite de Quervain é dolorosa, aguda/subaguda, com VHS e PCR elevados, e anticorpos tireoidianos geralmente negativos. A tireoidite de Hashimoto é indolor, crônica, com anticorpos anti-TPO e/ou anti-tireoglobulina positivos, e VHS e PCR normais.

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