IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021
Mulher de 35 anos, com irritabilidade, taquicardia, aumento da sudorese e insônia. EF: FC = 98 bpm, tireoide indolor com nódulo de 1,5 cm, retração palpebral discreta, mas sem proptose ocular. Exames laboratoriais: T4 Livre = 2,35 (VR = 0,8-1,9); TSH = 0,05 (VR = 0,4-4,0); anticorpo antiperoxidase (antiTPO) = 10 (VR = < 35); tireoglobulina = 0,03 (VR = < 1,0); VHS = 67 (VR = até 20 mm). Cintilografia = nódulo frio, captação de iodo radiativo em 24h = 2,1% (VR = 15-30%). O diagnóstico é:
Tireotoxicose com TSH baixo, T4L alto, captação de iodo ↓, tireoglobulina ↓ e VHS ↑ → Destruição tireoidiana (ex: Tireoidite de Quervain).
A combinação de tireotoxicose com baixa captação de iodo e tireoglobulina muito baixa, mas com VHS elevado, é sugestiva de tireoidite destrutiva, como a tireoidite de Quervain, que é inflamatória e eleva o VHS. A tireoglobulina baixa, embora atípica para a fase inicial da tireoidite, pode ocorrer em fases mais avançadas ou em casos específicos, enquanto o VHS alto é um forte indicador de processo inflamatório.
A tireotoxicose é uma condição comum na prática clínica, e seu diagnóstico diferencial é fundamental para o manejo adequado. A tireoidite de Quervain, também conhecida como tireoidite granulomatosa subaguda, é uma causa importante de tireotoxicose transitória, caracterizada por uma fase inicial de hipertireoidismo devido à destruição folicular e liberação de hormônios pré-formados. É crucial reconhecer seus marcadores inflamatórios, como o VHS elevado, que a distinguem de outras causas de tireotoxicose com baixa captação de iodo, como a tireotoxicose factícia ou a tireoidite silenciosa. Os exames laboratoriais, incluindo TSH, T4 Livre, anticorpos tireoidianos, tireoglobulina e VHS, juntamente com a cintilografia de tireoide, são pilares no diagnóstico. A baixa captação de iodo radiativo é um achado chave em tireoidites destrutivas e tireotoxicose factícia, indicando que a glândula não está sintetizando ativamente hormônios. A tireoglobulina, um marcador da produção endógena de hormônios, é tipicamente elevada em tireoidites e baixa/indetectável na tireotoxicose factícia. O VHS, por sua vez, é um marcador inflamatório que se eleva significativamente na tireoidite de Quervain, auxiliando na sua distinção. O tratamento da tireoidite de Quervain é sintomático, focando no alívio da dor e dos sintomas de hipertireoidismo com anti-inflamatórios não esteroides ou corticosteroides. É importante monitorar a evolução da doença, que geralmente cursa com fases de hipertireoidismo, hipotireoidismo e recuperação. O conhecimento aprofundado desses aspectos é vital para residentes, garantindo um diagnóstico preciso e um plano terapêutico eficaz, evitando tratamentos desnecessários ou inadequados.
Na tireoidite de Quervain, espera-se TSH baixo, T4 Livre elevado, captação de iodo radiativo muito baixa e VHS significativamente elevado, indicando um processo inflamatório agudo. A tireoglobulina pode estar elevada inicialmente devido à destruição folicular.
A diferenciação é crucial: ambas têm TSH baixo e T4L alto com baixa captação de iodo. No entanto, a tireotoxicose factícia apresenta tireoglobulina indetectável e VHS normal, enquanto a tireoidite destrutiva (como a de Quervain) geralmente tem tireoglobulina elevada e VHS alto.
Um nódulo frio em um contexto de tireotoxicose com baixa captação difusa de iodo sugere que o nódulo não é a causa da hiperfunção. A tireotoxicose é provavelmente de origem destrutiva (tireoidite), e o nódulo pode ser um achado incidental, necessitando de investigação separada para malignidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo