FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015
Escolar de nove anos, sexo feminino, apresenta queixa de baixa estatura. A estatura é de 123 cm (percentil 5) e seu alvo genético situa-se no percentil 50. Exame físico: bócio difuso, nodular, firme e Indolor à palpação. Exames complementares: hemograma, eletrólitos séricos, funções hepática e renal normais; idade óssea de 6,5 anos; TSH: 8,5 mUI/ml (normal 0,6-6,3); T4: 9 µg/dl (normal 6,4-13,3); T4 livre: 1,1 ng/dl (normal 0,7-1,7); anticorpo antiperoxidade positivo; anticorpo antireoglobulina negativo. O diagnóstico mais provável é:
Bócio + baixa estatura + TSH ↑ + T4 normal/↓ + antiperoxidase + → Tireoidite de Hashimoto.
A criança apresenta baixa estatura, bócio, idade óssea atrasada e exames laboratoriais com TSH elevado, T4 livre normal (sugestivo de hipotireoidismo subclínico ou compensado) e anticorpo antiperoxidase positivo. Este quadro é altamente sugestivo de Tireoidite Linfocítica Crônica, também conhecida como Tireoidite de Hashimoto.
A Tireoidite Linfocítica Crônica, mais conhecida como Tireoidite de Hashimoto, é a causa mais comum de hipotireoidismo adquirido em crianças e adolescentes. É uma doença autoimune caracterizada pela infiltração linfocitária da glândula tireoide, levando à sua destruição progressiva e, consequentemente, à diminuição da produção de hormônios tireoidianos. O reconhecimento precoce é crucial, pois o hipotireoidismo não tratado na infância pode levar a atrasos no crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor. A prevalência tem aumentado, sendo mais comum em meninas.O diagnóstico é baseado na tríade de bócio (geralmente difuso, firme e indolor), evidência laboratorial de disfunção tireoidiana (TSH elevado, com T4 livre normal ou baixo) e a presença de autoanticorpos tireoidianos, principalmente o anticorpo antiperoxidase (TPOAb). No caso apresentado, a baixa estatura e a idade óssea atrasada são manifestações clássicas do hipotireoidismo crônico. O TSH elevado com T4 livre normal indica um hipotireoidismo subclínico ou compensado, onde a tireoide ainda consegue manter o T4 em níveis normais, mas à custa de um maior estímulo do TSH.O tratamento da Tireoidite de Hashimoto com hipotireoidismo (clínico ou subclínico sintomático) consiste na reposição hormonal com levotiroxina. O objetivo é normalizar os níveis de TSH e T4 livre para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados da criança. O acompanhamento é a longo prazo, com monitoramento regular da função tireoidiana e do crescimento. Residentes devem estar atentos a quadros de baixa estatura e bócio em crianças, solicitando os exames tireoidianos e autoanticorpos para um diagnóstico preciso e início oportuno do tratamento.
Em crianças, pode se manifestar com bócio (difuso, firme, indolor), baixa estatura, atraso na idade óssea, fadiga, intolerância ao frio, constipação e, em casos mais avançados, sinais de hipotireoidismo franco.
A presença de anticorpos antiperoxidase (TPOAb) e/ou antitireoglobulina (TgAb) é fundamental para confirmar o diagnóstico de Tireoidite de Hashimoto, indicando a natureza autoimune da doença.
A Tireoidite Linfocítica é caracterizada pela presença de bócio e autoanticorpos positivos, diferenciando-a do hipotireoidismo congênito (geralmente sem bócio e detectado no teste do pezinho) e de outras disgenesias tireoidianas.
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