Tireoidite de Hashimoto em Crianças: Impacto no Crescimento

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

As doenças autoimunes pediátricas são um desafio, tanto em seu reconhecimento e diagnóstico, quanto pela forma de abordagem multifacetada. Em relação às doenças autoimunes que podem acometer crianças e adolescentes, está CORRETA a afirmação:

Alternativas

  1. A) A dermatomiosite juvenil é prevalente em adolescentes do sexo masculino, e é diagnosticada a partir de lesões de pele e fraqueza muscular, podendo se correlacionar com câncer na vida adulta.
  2. B) A hepatite autoimune e colangite esclerosante primária são diagnosticadas na maior porcentagem dos casos devido a quadro de complicações de cirrose hepática, como hemorragia digestiva e ascite.
  3. C) A tireoidite de Hashimoto (tireoidite autoimune) em crianças e adolescentes pode resultar em redução do crescimento, atraso no desenvolvimento esquelético e puberdade tardia.
  4. D) O lúpus eritematoso sistémico tem quadro mais leve em crianças e adolescentes quando comparados a adultos e o comprometimento do sistema nervoso central é menos frequente.

Pérola Clínica

Hashimoto na infância → ↓ crescimento + atraso esquelético + puberdade tardia.

Resumo-Chave

A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo adquirido em crianças, impactando diretamente o crescimento linear e a maturação óssea devido à deficiência de hormônios tireoidianos.

Contexto Educacional

As doenças autoimunes na pediatria exigem um alto índice de suspeição, pois suas manifestações podem ser sutis, como a simples queda na velocidade de crescimento. A tireoidite de Hashimoto é o exemplo clássico de como uma disfunção endócrina autoimune pode comprometer marcos do desenvolvimento. O diagnóstico precoce através da dosagem de TSH e anticorpos (Anti-TPO e Anti-tireoglobulina) é fundamental para evitar danos permanentes à estatura final.\n\nAlém disso, o manejo dessas condições deve considerar a toxicidade a longo prazo dos tratamentos, como os corticoides, que também podem impactar o crescimento. O acompanhamento multidisciplinar entre pediatras, endocrinologistas e reumatologistas é o padrão-ouro para garantir que a criança atinja seu potencial genético de desenvolvimento enquanto a doença autoimune é controlada.

Perguntas Frequentes

Como a tireoidite de Hashimoto afeta o crescimento infantil?

A deficiência de hormônios tireoidianos (T3 e T4) resultante da destruição autoimune da glândula tireoide interfere na placa de crescimento epifisária e na secreção do hormônio do crescimento (GH). Isso leva a uma desaceleração do crescimento linear, atraso na idade óssea e, se não tratada, pode resultar em baixa estatura final e atraso puberal significativo.

Quais as diferenças do LES pediátrico em relação ao adulto?

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) com início na infância ou adolescência tende a apresentar um curso clínico mais grave e agressivo do que a forma adulta. Há uma maior incidência de nefrite lúpica e envolvimento do sistema nervoso central, exigindo frequentemente terapias imunossupressoras mais intensas desde o diagnóstico.

A dermatomiosite juvenil está associada a neoplasias?

Diferente da dermatomiosite no adulto, onde existe uma forte associação paraneoplásica, a dermatomiosite juvenil raramente está associada a câncer. Suas principais características são a fraqueza muscular proximal simétrica, heliótropo e pápulas de Gottron, além do risco de calcinose, que é mais frequente na população pediátrica.

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