Tireoidite de Hashimoto em Pacientes com Síndrome de Down

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Você recebe em seu consultório, acompanhado pelos pais, recém-nascido com sete dias de vida, encaminhado para sua primeira consulta de puericultura. Mãe refere que paciente foi diagnosticado durante o pré-natal portador da Síndrome de Down (SD) por translocação. Os pais foram avaliados e a mesma translocação foi encontrada no cariótipo materno. Os pais trazem diversas dúvidas sobre os resultados dos cariótipos. O paciente manteve seguimento em seu consultório. Ele retorna com 5 anos de idade, sem queixas, em avaliação de puericultura, trazendo exames de rotina. Nos exames apresentados você encontra: hormônio tiroestimulante (TSH): 7,5 mUI/L (0,45 a 4,5 mUI/L); tiroxina (t4) livre: 1,0 ng/dL (0,9 a 1,7 ng/dL); anticorpos anti-peroxidase tiroidiana: 64 U/mL (Inferior a 34 U/mL); ultrassonografia de tireóide com infiltrado heterogênio. Pode-se afirmar que este paciente com Síndrome de Down apresenta: 

Alternativas

  1. A) Secreção inapropriada de TSH.
  2. B) Tireoidite.
  3. C) Hipotireoidismo central.
  4. D) Neoplasia de tireóide.
  5. E) Hipotireoidismo congênito

Pérola Clínica

Síndrome de Down + TSH ↑ + Anti-TPO (+) + USG heterogêneo = Tireoidite de Hashimoto.

Resumo-Chave

Pacientes com Síndrome de Down têm risco aumentado de doenças autoimunes, sendo a tireoidite de Hashimoto a causa mais comum de hipotireoidismo adquirido nessa população.

Contexto Educacional

A Síndrome de Down (Trissomia do 21) está fortemente associada a endocrinopatias, sendo as disfunções tireoidianas as mais frequentes. O rastreamento deve ser iniciado ao nascimento e repetido anualmente devido à alta incidência de hipotireoidismo adquirido. O quadro clínico apresentado — uma criança de 5 anos com TSH levemente elevado, T4 livre no limite inferior da normalidade e anticorpos positivos — é patognomônico de Tireoidite de Hashimoto. O achado ultrassonográfico de parênquima heterogêneo reflete o infiltrado linfocitário característico da tireoidite autoimune. Diferente do hipotireoidismo congênito, que é uma falha de formação ou função desde o nascimento, a tireoidite de Hashimoto é uma condição adquirida que pode levar ao hipotireoidismo clínico ao longo do tempo. O manejo requer vigilância e, frequentemente, reposição com levotiroxina para garantir o crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor adequados.

Perguntas Frequentes

Por que a Síndrome de Down predispõe a doenças da tireoide?

Indivíduos com Síndrome de Down apresentam uma desregulação imunológica intrínseca, com maior prevalência de doenças autoimunes, como doença celíaca e tireoidite de Hashimoto. Além disso, há uma sensibilidade alterada do receptor de TSH e uma maior frequência de elevações isoladas de TSH (hipotireoidismo subclínico) que podem ou não progredir para doença clínica, exigindo monitoramento anual rigoroso.

Como interpretar TSH elevado com T4 livre normal?

Este padrão caracteriza o hipotireoidismo subclínico. Na Síndrome de Down, a decisão de tratar depende da magnitude da elevação do TSH (geralmente >10 mUI/L), da presença de anticorpos anti-tireoidianos positivos (Anti-TPO ou Anti-TG) e de sintomas clínicos. No caso apresentado, a presença de anticorpos e alteração na ultrassonografia confirma a etiologia autoimune (tireoidite).

Qual a importância do Anti-TPO neste cenário?

O anticorpo anti-peroxidase tireoidiana (Anti-TPO) é um marcador de agressão autoimune à glândula tireoide. Sua positividade em um paciente com TSH elevado e USG com infiltrado heterogêneo confirma o diagnóstico de Tireoidite de Hashimoto, indicando que a disfunção tireoidiana é decorrente de um processo inflamatório crônico autoimune, e não de uma deficiência congênita ou central.

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