Tireoidite de Hashimoto: Diagnóstico Etiológico e Marcadores

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 45 anos de idade, apresenta-se na UBS com queixas de fadiga, ganho de peso não intencional, constipação e pele seca, há 3 meses. Refere sentir-se mais sensível ao frio nos últimos meses. Ao exame físico, observa-se FC: 50bpm, PA: 140x100mmHg. A palpação da tireoide revela aumento difuso da glândula, com textura granular e ausência de nódulos palpáveis. Demais exames segmentares sem alterações.Indique o exame complementar mais adequado para o diagnóstico etiológico do quadro de base:

Alternativas

  1. A) Dosagem de anticorpos antiperoxidase tireoidiana (anti-TPO).
  2. B) Teste de supressão com levotiroxina.
  3. C) Ultrassonografia da tireoide.
  4. D) Dosagem de T3 total.

Pérola Clínica

Hipotireoidismo + bócio granular + Anti-TPO (+) = Tireoidite de Hashimoto.

Resumo-Chave

A Tireoidite de Hashimoto é a principal causa de hipotireoidismo em áreas iodo-suficientes, caracterizada por destruição autoimune da glândula e presença de anticorpos anti-TPO.

Contexto Educacional

A Tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune crônica onde ocorre uma falha na autotolerância aos antígenos tireoidianos, resultando em infiltração linfocitária (linfócitos T citotóxicos) e fibrose. Clinicamente, manifesta-se com sintomas de lentificação metabólica: fadiga, bradicardia, intolerância ao frio e pele seca. O bócio, quando presente, é tipicamente indolor e de consistência elástica ou granular. O tratamento baseia-se na reposição de levotiroxina, visando a normalização dos níveis de TSH.

Perguntas Frequentes

Por que o Anti-TPO é o exame de escolha para etiologia?

O anticorpo antiperoxidase tireoidiana (Anti-TPO) está presente em mais de 90-95% dos pacientes com Tireoidite de Hashimoto. Ele é o marcador mais sensível para autoimunidade tireoidiana, refletindo a infiltração linfocitária e a destruição progressiva dos folículos tireoidianos que levam ao hipotireoidismo.

Qual a utilidade da ultrassonografia neste cenário?

A ultrassonografia não é necessária para o diagnóstico funcional ou etiológico do hipotireoidismo. Ela é indicada apenas se houver nódulos palpáveis ou bócio volumoso com sintomas compressivos. No Hashimoto, o padrão típico é de parênquima hipoecoico e heterogêneo, mas isso não substitui a sorologia.

Como interpretar TSH e T4L no diagnóstico inicial?

O diagnóstico de hipotireoidismo primário é confirmado por um TSH elevado e um T4 livre baixo. Se o TSH estiver elevado mas o T4 livre estiver normal, classifica-se como hipotireoidismo subclínico. A presença de Anti-TPO positivo nesses casos aumenta o risco de progressão para hipotireoidismo clínico.

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